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	<title>Mãe Geek &#187; filhos</title>
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	<description>Blog para a mãe e pai geek, nerd, dork. Os post dão dicas e incluem assuntos sobre tecnologia, internet, gadgets, videogames, brinquedos, filmes, livros, viagens, etc..</description>
	<lastBuildDate>Mon, 02 Sep 2019 20:16:18 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Sobre amor e respeito entre pais e filhos</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Apr 2017 16:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Mari Eva]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<description><![CDATA[Como educar nossos filhos? A pergunta constante em nossas cabeças. Mas será que nossos pais se faziam essa pergunta o tempo todo? Será que não era mais leve pra eles a questão da educação? O que mais importava para eles? Ser amado pelos filhos ou respeitado? Eu acho que impor limites é essencial para a...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Como educar nossos filhos? A pergunta constante em nossas cabeças. Mas será que nossos pais se faziam essa pergunta o tempo todo? Será que não era mais leve pra eles a questão da educação? O que mais importava para eles? Ser amado pelos filhos ou respeitado?</p>
<p>Eu acho que impor limites é essencial para a educação deles. Pode parecer ruim por momentos e vemos que os filhos muitas vezes reclamam mas depois percebo que eles ficam agradecidos por esse limite, que eles se sentem mais a vontade e entendem melhor o que fazer quando os limites fazem parte da rotina.</p>
<p>Por acaso, recebi um vídeo de uma amiga de uma entrevista do psicólogo Rossandro Klinjey sobre o tema. E ele aborda uma questão interessante. Ele diz que antigamente os pais se preocupavam em impor respeito aos filhos e hoje os pais querem ser amados por seus filhos, mas as crianças e adolescentes não tem sofisticação para amar ainda. Assim, os pais não conseguem nem o amor e nem o respeito de seus filhos e acabam criando pessoas com incapacidade de suportar que a vida que nem sempre é favorável. </p>
<p>Ele comenta que pegar um filho pra fazer um bolo, por exemplo, é muito bom para trabalhar a resiliência da criança. Acaba sendo uma experiencia rica de esperar o tempo para essa geração ansiosa. </p>
<p>Olha que interessante esse vídeo abaixo e depois me conta o que você acha.</p>
<p><iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/3fbF6IF5Cz8" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Rossandro Klinjey é um psicólogo que mora em Campina Grande, Paraíba e tem mestrado em Saúde Coletiva, especializado nas áreas de Recursos Humanos e Gestão de Pessoas, Professor da Faculdade FACISA.</p>
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		<title>Férias Geek no Rio</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2016 02:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Bianca Jhordão]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[colonia de férias]]></category>
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		<description><![CDATA[Rio 40 graus, verão no auge, férias escolares. O que fazer com as crianças cheias de energia? A novidade é que o Mundinho Geek e o Planetário da Gávea irão realizar duas colônias de férias super bacanas que unem educação, cultura pop e muita diversão. De 9 a 13 de janeiro, acontece no Espaço Telezoom, no...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Rio 40 graus, verão no auge, férias escolares. O que fazer com as crianças cheias de energia?</p>
<p>A novidade é que o Mundinho Geek e o Planetário da Gávea irão realizar duas colônias de férias super bacanas que unem educação, cultura pop e muita diversão.</p>
<p>De 9 a 13 de janeiro, acontece no Espaço Telezoom, no Humaitá, a segunda edição da colônia de férias do <strong>Mundinho Geek</strong>, para crianças dos 3 aos 9 anos. Entre as atrações programadas: oficinas de stop motion, artes visuais, culinária nerd, atividades educativas, contação de histórias, roda de musicalização, quiz nerd e desfile cosplay. E cada mini geek ainda poderá escolher um responsável adulto para acompanhá-lo numa visita ao Museu Light da Energia (o transporte já está incluído).</p>
<p>Para encerrar a semana em grande estilo, os pequenos geeks entrarão no universo lúdico com a festa dos super-heróis! Serão duas turmas: a Baby, destinada a crianças dos 3 aos 5 anos, e a Kids, para crianças entre 6 e 9 anos.</p>
<p>De 16 a 20 de janeiro, é a vez do Planetário da Gávea. Crianças dos 6 aos 10 anos poderão participar da colônia de férias <strong>Brincando e Aprendendo Astronomia</strong>, que terá entre as atrações um bate-papo diário com astrônomos na cúpula do Planetário; Arena Jedi, com ensinamentos e duelos com um Mestre Jedi caracterizado; Oficina de Stêncil em que as crianças criam desenhos ligados a astronomia usando moldes; Oficina de Stop Motion; Oficina de Naves Espaciais e ET, em que a criança aprende a criar naves e ETs com itens reciclados; Oficina de Light Painting, que ensina técnicas de fotografia com a luz em movimento; e Oficina de Cosplay Alienígena, com customização de camisetas e confecção de acessórios extraterrestres. Além de uma visita ao Museu Light de Energia.</p>
<p>As duas colônias são produzidas pela Imagem Cultural, responsável pelo educativo do Museu Light da Energia e de diversos projetos infantis no Planetário da Gávea. &#8220;- O Mundinho Geek foi criado com a intenção de fazer com que as crianças aprendam brincando, em um ambiente carinhosamente pensado para elas. Acreditamos que as crianças aprendem com mais prazer, quando são estimuladas a brincar. Isso é algo que já aplicamos há alguns anos na colônia de férias do Planetário e sempre teve resultados muito positivos&#8221; – explica Juliana Rodrigues, que está à frente das duas colônias.</p>
<p>O MãeGeek irá participar da colônia &#8220;Brincando e Aprendendo Astronomia&#8221;, já garantimos nossa vaga! Garanta a sua também, será épico!</p>
<p>Confira todos os detalhes abaixo e nos vemos lá! :)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>SERVIÇO</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b></b><strong>Colônia de férias Mundinho Geek</strong></p>
<p>Data: 09 a 13/01 de 2017</p>
<p>Local: Espaço Telezoom &#8211; Rua Miguel Pereira nº 38, no Humaitá</p>
<p>Informações: 9 6907-2480/ 2220-5243 (segunda a sexta, das 11h às 17h)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline">Turma Baby</span></strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline">Horário: 08h30 às 12h</span></strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline">Faixa etária 03 a 05 anos</span></strong></p>
<p>Inscrições para a semana: R$490,00 (para pagamentos até 31/12) e R$520,00 (em janeiro)</p>
<p>Diária: R$140,00 (somente via depósito bancário)</p>
<p>Onde comprar: <a href="http://www.mundinhogeek.com.br/">www.mundinhogeek.com.br</a></p>
<p>ou pelo e-mail <a href="mailto:feriasmundinhogeek@gmail.com">feriasmundinhogeek@gmail.com</a> (depósito bancário)</p>
<p><span style="text-decoration: underline"> </span></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline">Turma Kids</span></strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline">Horário: 13h30 às 17h</span></strong></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline">Faixa etária: 06 a 09 anos</span></strong></p>
<p>Inscrições para a semana: R$490,00 (para pagamentos até 31/12) e R$520,00 (em janeiro)</p>
<p>Diária: R$140,00 (somente via depósito bancário)</p>
<p>Onde comprar: <a href="http://www.mundinhogeek.com.br/">www.mundinhogeek.com.br</a></p>
<p>ou pelo e-mail <a href="mailto:feriasmundinhogeek@gmail.com">feriasmundinhogeek@gmail.com</a> (depósito bancário)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Inclui: Oficina de stop motion, oficina de artes visuais, oficina de culinária nerd, atividades educativas, roda de musicalização, quiznerd, desfile cosplay, contação de histórias, oficina de naves espaciais, festa de super-heróis, visita ao Museu Light da Energia com transporte (para a criança inscrita + um responsável adulto).</strong></p>
<p><b> </b></p>
<p><strong>*Programação sujeita a alteração sem aviso prévio.</strong></p>
<p><strong>*As turmas acontecem com quórum mínimo de 13 crianças.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong></strong><strong> </strong></p>
<p><strong>Colônia de férias Brincando e Aprendendo Astronomia</strong></p>
<p>Data: 16 a 20 de janeiro de 2017</p>
<p>Local: Planetário da Gávea &#8211; Rua Vice-Governador Rúbens Berardo, 100 – Gávea</p>
<p>Faixa etária: 6 a 10 anos</p>
<p>Horário: 13h às 17h</p>
<p>Inscrições: R$ 360,00 (para pagamentos até dia 31/12) e R$ 390,00 (em janeiro)</p>
<p>Diária: R$ 85,00</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Inscrições pelo e-mail: <a href="mailto:feriasnoplanetario@gmail.com"><b>feriasnoplanetario@gmail.com</b></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Inclui: Bate-papo com astrônomos, Arena Jedi (ensinamentos e duelos com um Mestre Jedi caracterizado), Oficina de Stêncil (as crianças criam desenhos ligados a astronomia usando moldes), Oficina de Stop Motion, Oficina de Naves Espaciais e ET, Oficina de Light Painting, Oficina de Cosplay Alienígena, além de uma visita ao Museu Light de Energia.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>*Programação sujeita a alteração sem aviso prévio.</strong></p>
<p><strong> <a href="http://maegeek.r7.com/wp-content/uploads/2016/12/Colonia_ferias_02.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-2244" alt="colonia_ferias_02" src="http://maegeek.r7.com/wp-content/uploads/2016/12/Colonia_ferias_02-550x366.jpg" width="550" height="366" /></a></strong></p>
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		<title>Eu amamentei um bebê desconhecido</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2016 18:35:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eu Mãe]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Ana Paula Moutinho, policial militar, mãe de um menino de um ano Eu sofri quarto abortos espontâneos antes de conseguir engravidar. Mas é possível que eu tenha tido outras perdas que sequer foram detectadas. Comecei a tentar ter um filho há nove anos, quando parei de tomar a pílula. Quando consegui engravidar, o pai...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Ana Paula Moutinho, policial militar, mãe de um menino de um ano</p>
<p>Eu sofri quarto abortos espontâneos antes de conseguir engravidar. Mas é possível que eu tenha tido outras perdas que sequer foram detectadas. Comecei a tentar ter um filho há nove anos, quando parei de tomar a pílula.</p>
<p>Quando consegui engravidar, o pai do meu filho sumiu diante da notícia. E não foi só isso. Assim que eu descobri que seria mãe, minha avó morreu. No quinto mês de gestação foi a vez da minha mãe e no sétimo, do meu tio. Tive que mudar de cidade e voltar para a capital neste período. Foi uma gravidez muito conturbada. Mas o meu moleque nasceu saudável mesmo assim.</p>
<p>Eu sou policial militar, trabalho das 9h às 18h mais escala de supervisão de 24 horas, e posso contar apenas com a ajuda de uma ex caseira do meu pai no dia a dia e da minha madrinha nos finais de semana, mas era mora longe de mim. Mas eu tenho a sorte de ter um filho levado, mas bonzinho. Ele fica muito bem com quem estiver cuidando dele.</p>
<p>Eu vejo muitas coisas ruins acontecerem todos os dias, e depois que o meu filho nasceu eu fico mais apreensiva quando me vejo exposta a algum risco.</p>
<p>Há cerca de vinte dias eu estava na Supervisão de Operações e ouvi no rádio da viatura a ocorrência de uma mulher que teria abandonado um bebê em uma igreja. Como a viatura que atenderia a ocorrência estava longe, e também pela complexidade do caso, resolvi passar no local pra ver.</p>
<p>Quando cheguei lá a mãe, dependente química, estava bastante irritada e dizendo que ou alguém ficaria com a criança ou ela a jogaria em qualquer lugar. Perguntei se ninguém da família queria e ela disse que talvez a sogra aceitasse. Perguntei se ela tinha o contato dessa sogra e ela ficou de buscar em casa.</p>
<p>Mas o bebê já estava no meu colo desde o começo. A mãe falou que iria buscar o telefone e eu falei que com o bebê ela não iria e ela concordou.</p>
<p>Sinceramente, nós achamos que não voltaria.</p>
<p>O bebê já estava chorando muito, e piorou. Eu cheguei até a pedir para comprarem leite e mamadeira, mas achei que ele estava sofrendo muito.</p>
<p>Eu já estava trabalhando há doze horas e meu peito estava cheio de leite. Então resolvi amamenta-lo. Ele pegou meu peito imediatamente e com muita força. Mamou por mais de uma hora, cochilava no meio e quando eu tentava tirar ele voltava a chorar.</p>
<p>A mãe voltou com a bolsa do bebê e eu disse que teríamos que ir pra delegacia. Ela não quis pegar o filho e eles foram em viaturas separadas. O bebê foi comigo, ainda mamando. Quando chegamos na delegacia chamei o Conselho Tutelar e consegui falar com a sogra dela, avó do bebê. Ela ficou com ele.</p>
<p>Pode parecer frieza, mas confesso que isso não me abalou muito. Estou acostumada e ver coisas difíceis, mas isso me deu uma saudade enorme do meu filho naquele momento. Era uma vontade enorme de cuidar, acarinhar, proteger.</p>
<p>Ele me fez muita falta muito grande quando estou trabalhando. Eu sinto ciúme das pessoas que cuidam dele e não me imagino sem ele. Tudo isso fez com que eu dimensionasse o tamanho do meu amor pelo meu filho.</p>
<p>E é enorme.</p>
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		<title>Uma mãe apaixonada por animes</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2016 16:51:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eu Mãe]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Marcia Zymberknopf, 41 anos, advogada, mãe de um menino de 13 anos e um de três. Eu sou a única mulher na minha casa. Tenho meu marido, meus dois meninos e até o gato é macho. Mas eu acredito que eu fui programada para ser mãe de menino mesmo. Eu adoro brinquedos e desenhos...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Marcia Zymberknopf, 41 anos, advogada, mãe de um menino de 13 anos e um de três.</p>
<p>Eu sou a única mulher na minha casa. Tenho meu marido, meus dois meninos e até o gato é macho. Mas eu acredito que eu fui programada para ser mãe de menino mesmo. Eu adoro brinquedos e desenhos “de menino”.</p>
<p>Eu sou apaixonada por animes. Eu sou advogada na prefeitura da minha cidade e o meu trabalho é muito sério e frio. E é assim que eu gosto de relaxar. São histórias muito boas que mostram que o esforço sempre vale a pena, fora que são muito engraçadas.</p>
<p>Eu amo de verdade animes japoneses e consegui passar essa adoração para o meu filho mais velho. Ele agora gosta de indicar novos desenhos pra mim, mas é uma pena que ele, ao contrário de mim, não goste muito de mangás.</p>
<p>Quando meu caçula tiver uns cinco anos, vou apresentar o Naruto pra ele.</p>
<p>Eu sempre, sempre, sempre quis ser mãe e sabia que um dia eu seria, assim como sempre tentei fazer as coisas sempre certas na minha vida. Eu me casei em 2000 e fiquei morando com a minha sogra até conseguirmos construir a nossa casa, ou pelo menos parte dela para ser habitável &#8211; porque a minha casa está em eterna construção. Nos mudamos em outubro de 2002.</p>
<p>Até esta época nós evitávamos ter filhos, mas quando nos mudamos, sem discutir o assunto oficialmente, acho que deixamos ver o que iria acontecer. Eu fiquei grávida mais ou menos em dezembro de 2002. Foi uma alegria infinita. Eu tive uma gravidez ultra tranquila, o pior que acontecia era cair a pressão, mas nada que um sal de fruta não resolvesse. Eu consegui até fazer hidroginástica e caminhada.</p>
<p>Meu primeiro filho nasceu de parto normal e eu me sentia pronta para encarar meu papel de mãe. O que mais me recordo quando viemos para casa é que eu ficava olhando para ele e dizia para o meu marido: nossa, não é incrível, ele sempre vai estar aqui! Realmente não acreditava que aquele menininho tão lindo era meu.</p>
<p>Eu também sempre digo para a minha mãe que ser mãe dele sempre foi fácil, ele é muito obediente, amoroso, bonzinho, dormia a noite inteira e até hoje eu fico surpresa com isso. Meus pais também sempre me ajudaram com ele, levando na escolinha, buscando para mim, cuidando dele quando eu não podia. Eu me considero super sortuda, tenho todo o apoio dos meus pais e nem sei o que faria sem eles.</p>
<p>E então, eu que já estava acostumada com a minha vidinha sossegada me dei conta que estava chegando nos quarenta e nada de ter outro filhinho. O que também me fez ficar pensando foi a corajosa da minha irmã adotando duas crianças com uma grande diferença de idade entre elas.</p>
<p>E dessa vez, sem falar nada para o meu marido eu decidi ficar grávida. Peguei a cartela da pílula e joguei fora. Pouco tempo depois eu já estava grávida. Assim como na primeira gravidez, foi tudo muito tranquilo. Não pude fazer hidroginástica ou caminhada porque dessa vez eu tinha que também dar atenção para o mais velho, mas deu tudo certo.</p>
<p>Os primeiros sinais de parto acho que já me avisaram do furacão que estava chegando!</p>
<p>Na primeira gravidez a bolsa não arrebentou, então quando eu me vi molhada na cama às 23h30 eu fiquei bem assustada. Chamei meus pais para ficarem com o mais velho e lá fomos nós para o hospital. As contrações também me deixaram muito nervosa, foi tudo muito diferente, porque eu tinha chegado às 20h30 no hospital e as 22h00 ele tinha nascido. Mas na segunda vez&#8230;fiquei lá sentindo toda aquela dor até as seis da manhã, quando a médica chegou. O meu médico estava viajando, então o meu parto seria feito por outra médica.</p>
<p>A primeira coisa que eu pedi foi aquela anestesia que tinham me prometido.</p>
<p>No primeiro parto eu sequer tomei anestesia, mas daquela vez eu queria sim! Então eu fui levada para a sala e a medica não deixou meu marido entrar na sala. Eu não conseguia fazer a menor força por causa daquelas dores, então finalmente deram a bendita anestesia e as fotos que o meu marido tirou lá do outro lado do vidro ficaram hilárias com a minha cara de feliz sem dor.</p>
<p>Meu caçula nasceu com o cordão enrolado no pescoço mas deu tudo muito certo. Meu filho mais velho começou a mamar como um profissional, mas o menor deu trabalho, ficava bravo, não conseguia pegar o bico e me machucou bastante.</p>
<p>Como pode a gente ter dois filhos tão diferentes?</p>
<p>Eu sinto que tenho dois filhos únicos.</p>
<p>Meu caçula nunca foi tranquilo como o irmão. No comecinho ele até dormia, mas um tempo depois acho que eu passei aquela prova que todas as mães comentam: a falta absoluta de dormir. Eu acordava a cada 45 minutos, amamentava mas ele não dormia, virava, virava no berço e parecia muito incomodado. Piorou quando voltei a trabalhar e ele passou a tomar fórmula.</p>
<p>Foi uma loucura para fazer com ele comesse, foi uma loucura para fazer com que ele tomasse o leite artificial e nada de dormir. Chegamos a leva-lo em uma médica especialista em sono infantil que ouviu minha história e disse que não era comportamental, porque a nossa rotina estava correta. Pediu exame para verificar se era refluxo e descobrimos o tal do refluxo interno, coitadinho. Passamos a dar leite de soja e as coisas melhoram um pouco, mas só o suficiente para eu dormir umas três horas seguidas.</p>
<p>Atualmente eu decidi que não adianta eu ser tão rígida. A rotina para começar a dormir é fácil, mas o problema é que ele ainda acorda de noite me chamando. Bem, eu coloquei um colchão do lado da caminha dele. Quando ele me chama nem penso em voltar para o quarto, já fico por lá mesmo.</p>
<p>Uma mudança na administração municipal fez com que o controle da minha jornada de trabalho fosse mais flexível, porque conseguimos provar que advogados não trabalham com horário, mas com prazos. Assim, agora eu trabalho durante sete horas corridas e consigo ficar com o meu caçula todas as manhãs.</p>
<p>Meu filho caçula é um menino super comilão. Come de tudo e adora comer. Provoca muito o irmão, que por sua vez também não deixa barato e quer competir com o pequeno. Até acho engraçado, com dez anos, um mês e um dia de diferença entre os dois eles brincam e brigam como se fossem da mesma idade.</p>
<p>O caçula também está aprendendo a ser mais sociável e menos bravo. Enquanto o primeiro era o &#8216;mordido&#8217; na escola, o menor fui descobrir que é o &#8216;mordedor&#8217;.</p>
<p>Eles são muito, muito diferentes e eu me sinto como mãe de primeira viagem mesmo, pois tudo que aprendi com o meu primeiro filho não ser aplicado no caso do caçula, que tem uma personalidade muito diferente.</p>
<p>E agora o meu filho mais velho está entrando na adolescência. Eu adoro acompanhar as mudanças no corpo e até no comportamento dele.</p>
<p>Eu tenho medo de não ter a energia necessária para dar conta do caçula, eu fico arrependida também de ter deixado passar tanto tempo e agora estou mais velha e um pensamento que eu tento afastar de qualquer jeito é a idade que vou estar quando o maior tiver 40 e o menor tiver 30&#8230; rezo para que eu viva bastante e viva bem, porque como toda mãe nós não podemos morrer, não é mesmo?</p>
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		<title>De repente tudo fez sentido</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2016 03:01:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eu Mãe]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Carolina Marcondes, 35 anos, jornalista, mãe de um menino de dois anos Acabei de voltar da escolinha do meu filho. Hoje fizemos a festinha de aniversário dele. O tema da festa foi o mesmo da comemoração que fizemos no último fim de semana: a turma do Snoopy. Tão pequeno atrás da mesa, ele não...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Carolina Marcondes, 35 anos, jornalista, mãe de um menino de dois anos</p>
<p>Acabei de voltar da escolinha do meu filho. Hoje fizemos a festinha de aniversário dele. O tema da festa foi o mesmo da comemoração que fizemos no último fim de semana: a turma do Snoopy. Tão pequeno atrás da mesa, ele não conseguiu apagar a velinha.</p>
<p>O meu filho já tem dois anos.</p>
<p>Eu não me lembro exatamente quando foi que eu decidi que eu queria ser mãe. Acho que pra mim isso era uma coisa meio óbvia, e talvez eu tenha caído na armadilha que o mundo prega na gente desde sempre, dizendo que toda mulher precisa ser mãe, que esse é o sentido da nossa vida.</p>
<p>Ele é o sentido da minha vida, sim. Mas precisa ser assim com toda mulher?</p>
<p>Eu nasci em uma cidade pequena e desde sempre sabia que não iria viver lá pra sempre. Os meus sonhos de criança sempre começaram com “quando eu me mudar para (insira aqui opções como São Paulo, Londres ou Nova York)”. Aos 18 fui embora para viver com o meu pai, com quem tive uma relação difícil durante a adolescência. Mas viver somente com ele em um apartamento foi fundamental para que ele se tornasse o melhor pai que eu poderia ter, e para entender o quanto a presença da minha mãe, que ficou no interior, era importante pra mim.</p>
<p>Depois que meu pai aceitou uma proposta de emprego fora da cidade as coisas passaram a acontecer de uma maneira muito rápida: minha carreira de jornalista deslanchou, fui dividir o apartamento com uma desconhecida meio biruta e conheci o meu marido. Viajei muito – e ainda viajo, conheci tantos lugares que eu sempre sonhei, não parei de estudar.</p>
<p>A vida estava de acordo com as expectativas – as minhas e as dos outros. Casada, com casa própria e uma carreira estável. Europa nas férias.</p>
<p>O sonho de ser mãe continuava ali, mas teve aquele dia.</p>
<p>Aquele dia, aos 32 anos, em que eu acordei e decidi: estava na hora de engravidar.</p>
<p>Eu nem pensei direito. Marquei consulta no médico, fiz os exames, conversei com meu marido, o médico disse que levaria de seis meses a um ano pra engravidar, tirei férias.</p>
<p>Três meses depois da decisão de engravidar, eu engravidei.</p>
<p>Quando fui fazer o exame Beta HCG, já que o teste de farmácia deu resultado inconclusivo, a enfermeira perguntou se eu queria que desse positivo.</p>
<p>Sim, eu queria. Mas não, eu não fazia ideia do que estava por vir.</p>
<p>Porque a partir daquele dia em que eu abri o resultado pela internet e fui chorar no banheiro do escritório, mudou tudo. Não só o corpo, as responsabilidades, as prioridades. Mudou o meu jeito de ver o mundo. Nasceu a vontade de entregar um mundo melhor pro meu filho. De entregar um bom homem pro mundo. Responsável, respeitoso, bom caráter, bem humorado. De ser uma pessoa melhor. Ser uma pessoa que ele queira por perto não apenas por ser a mãe dele, mas por ser uma boa pessoa.</p>
<p>Meu filho nasceu numa manhã de sexta-feira e eu não me lembro direito do momento em que eu o peguei no colo, já no quarto do hospital. É uma memória que eu gostaria de ter e não tenho. Não me lembro direito da primeira vez que ele mamou.</p>
<p>Nos primeiros dias do meu bebê em casa, eu chorei muito. Chorava por não conseguir fazer ele dormir, porque ele queria mamar o tempo inteiro, e porque muitas vezes eu me perguntei onde é que eu estava com a cabeça quando decidi ser mãe.</p>
<p>Toda mãe no puerpério, nem que seja por um segundo, se faz essa pergunta. E com sinceridade.</p>
<p>Quando meu filho nasceu antes de mais nada veio um sentimento de proteção. Algo meio instintivo do tipo “eu preciso mantê-lo vivo”. Porque o amor, esse amor louco que a gente sente pela nossa cria, vem como uma porrada na nossa cara, apesar de eu não saber exatamente quando ele chegou.</p>
<p>De repente tudo fez sentido. A minha vida. Todos os caminhos percorridos até chegar ali, naquele momento. O amor que eu sinto pelo pai dele. Todo o medo que eu senti. Toda a dúvida se eu seria uma boa mãe.</p>
<p>E agora eu estou aqui, me vendo emocionada quando ele aprende uma coisa nova. Com saudades dele quando chega a hora de busca-lo na escola. Virando a minha carreira de cabeça pra baixo e feliz por poder trabalhar em casa e passar as manhãs com ele, fazendo “preguicinha” na cama, vendo TV e dançando todas as músicas do Discovery Kids, fazendo o almoço dele e vendo-o se deliciar ou ignorar solenemente o meu esforço.</p>
<p>Ele já tem dois anos.</p>
<p>E eu ainda o amamento e essas estão entre as melhores horas do meu dia. Nestas horas, e em tantas outras, ele me olha e sorri.</p>
<p>E aí eu entendo tudo, em um ataque de lucidez.</p>
<p>Nestes dois anos, eu estive cansada praticamente todo o tempo. Eu estou constantemente com sono. Eu adoro correr, mas sempre antes de ir ao parque ao lado de casa minha mente tenta me lembrar que eu poderia gastar essa uma hora cochilando.</p>
<p>Na maioria das vezes o parque vence.</p>
<p>Um grande momento da minha semana é quando, sábado ou domingo, meu filho sai com o pai pra brincar. E eu durmo a manhã inteira e sou acordada por ele, pulando na minha cama e chamando por mim com esse sorriso que ele tem. É o melhor jeito de acordar do mundo.</p>
<p>Minha vida como mãe não é perfeita. É muito cansaço, muita dúvida, muita culpa. Muita irritação com uma criança fazendo birra. Mas é a minha vida, o caminho que eu escolhi e não me arrependo.</p>
<p>Dizem que o amor cura tudo. E eu vou além. O amor, esse amor tão grande, tão maior que eu, me justifica.</p>
<p>Esse amor me reinventou, criou uma versão melhorada de mim mesma. Com quilos a mais, olheiras e até cabelos brancos olha só, mas alguém mais perto da pessoa que eu sempre quis ser.</p>
<p>Hoje, eu sou feliz.</p>
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		<title>A licença-maternidade chegou ao fim</title>
		<link>http://www.maegeek.com.br/a-licenca-maternidade-chegou-ao-fim/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Sep 2016 18:54:03 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Zenaide Quevedo Peres Bonato, 35 anos, jornalista, mãe de uma menina de cinco meses e meio Ouvi um choro no fundo, como se fosse num sonho. Abri os olhos, olhei a hora e vi que não, não era um sonho, era a minha filha, já acordada às 5:10 da manhã, pedindo seu café da...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Zenaide Quevedo Peres Bonato, 35 anos, jornalista, mãe de uma menina de cinco meses e meio</p>
<p>Ouvi um choro no fundo, como se fosse num sonho. Abri os olhos, olhei a hora e vi que não, não era um sonho, era a minha filha, já acordada às 5:10 da manhã, pedindo seu café da manhã. Me revirei na cama, levei alguns segundos para levantar, meu marido foi na frente. Passei no banheiro e fui lá amamentar uma pessoinha tão especial de cinco meses de idade.</p>
<p>Ela mamou com vontade e força, e nesse meio tempo eu quase adormeci encostada na poltrona. Acabou uma teta, ela reclamou, então troquei ela de lado. Sentindo-se satisfeita, me olhou fundo nos olhos e esboçou um sorriso. Me senti especial. Entreguei ela para o pai trocar a fralda e fui deitar mais vinte minutos, pois a gripe estava acabando comigo.</p>
<p>Acordo minutos depois, me visto para ir trabalhar e vou até o quarto dela. Ela está lá na cama sorrindo pra mim. Sinto um aperto enorme no peito, uma vontade de ficar com ela grudadinha o dia inteiro. Lágrimas escorrem do rosto e blasfemo o quanto esse mundo é injusto, me obrigando a ficar longe da minha pequenina tão, mas tão cedo. Sim, hoje é um dia que estou mais sentimental, talvez a gripe, talvez o cansaço, talvez a falta de costume com a nova rotina, talvez o simples fato de ser mãe.</p>
<p>Meu dia começa mega cedo, mas para mim isso não é algo ruim, pelo contrário, é muito bom. Minha filha dorme entre sete e oito da noite e só acorda pelas cinco e meia/seis horas da manhã. Tem sido assim há alguns meses já – sim, ela dorme a noite toda desde os dois meses, e sei o quanto sou abençoada.</p>
<p>O fato é que desde quinta-feira passada um elemento novo está fazendo meus dias muito mais agitados, sensíveis, difíceis e emocionantes. A minha licença maternidade chegou ao fim e voltei ao trabalho. Desde sempre eu sabia que a minha menina iria para o berçário com menos de cinco meses. Deixar o trabalho não era uma opção e ter a ajuda da família também não, pois tanto a minha quanto a do meu marido moram em outro estado. Antes dela nascer, eu era dura e direta ao afirmar que sim, ela iria para o berçário com cinco meses.</p>
<p>Ah, mas como nós mães, antes de nos tornarmos mães, subestimamos nossos próprios sentimentos, achando que vamos pensar assim ou assado. Nem durante a gravidez o sentimento muda tanto quanto depois que temos um bebezinho em nossos braços. Uma chave vira, não adianta. Algumas amigas grávidas comentam coisas, e eu penso assim: deixa nascer que tua opinião mudará totalmente.</p>
<p>Em julho começamos a busca por um berçário. Como eu chorei, nossa, nenhum servia. Afinal, ninguém vai cuidar minha filha melhor do que eu, não é mesmo? Sim, isso é verdade, mas é preciso aceitar e pensar que a perfeição não existe. Decidimos que a prioridade era um berçário perto de casa, pois poderíamos levar a pequena sem precisar de carro. Encontramos, gostamos, conversamos, visitamos e aprovamos. Um lugar familiar, com ambiente aconchegante, cheiro delicioso de comida saindo da cozinha, berçaristas bem dispostas, carinhosas e bebês felizes.</p>
<p>O que posso dizer até agora é que não é fácil, mas que estou adorando retomar minhas atividades, adorando ter um pouco do meu eu, só meu de volta.  A cada dia lido melhor com a vontade de ficar o dia todo com nossa pequena e lido melhor com a correria da manhã, com a ordenha durante o trabalho e com algum sentimento de culpa que insiste em dar as caras vez e outra. Estou firme na missão de mãe, esposa, profissional, cozinheira e principalmente firme em sempre tentar encontrar outras saídas e não transformar esse momento tão mágico em algo pesado e que sugue os meus dias sem eu perceber.</p>
<p>No final de tudo sabe o que fica? Aquele sorriso maravilhoso que ela me dá, e aquele olhar de quem com cinco meses já parece querer conhecer o mundo.  Sim, eu sou muito feliz em ser mãe e muito feliz em ter ao meu lado um parceiro para todas as horas. Costumo dizer que meu marido só não tem “tetas”, porque de resto ele faz tanto quanto eu. Na nossa vida é assim, e eu tinha certeza que com a chegada da nossa não seria diferente. Acertei.</p>
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		<title>Minha filha foi minha fonte de inspiração</title>
		<link>http://www.maegeek.com.br/minha-filha-foi-minha-fonte-de-inspiracao/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2016 20:36:03 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Nathália Donato, 32 anos, consultora de alimentação infantil, mãe de uma menina de quatro anos Eu sempre quis ser mãe. E uma mãe daquelas que leva para as aulas de ballet, leva e busca na escola, faz a lição de casa. O que significa que eu já sabia desde o começo da minha carreira...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Nathália Donato, 32 anos, consultora de alimentação infantil, mãe de uma menina de quatro anos</p>
<p>Eu sempre quis ser mãe. E uma mãe daquelas que leva para as aulas de ballet, leva e busca na escola, faz a lição de casa. O que significa que eu já sabia desde o começo da minha carreira de jornalista que, em algum momento, aquela rotina maluca de abrir o serviço de notícias em tempo real às 7h da manhã tinha prazo de validade.</p>
<p>A bem da verdade, eu nunca fui de me prender por muito tempo no mesmo lugar. Sabe aquele medo de jogar tudo para o alto, virar a mesa e mudar de emprego para buscar o que te faz feliz? Nunca tive isso.</p>
<p>Em janeiro de 2010, quando já pensava em engravidar e não me sentia mais feliz com meu emprego numa agência de notícias, pedi demissão sem nada em vista. Queria tentar algo novo. Comecei a tentar engravidar em junho de 2010 e achava que seria muito rápido – esse pensamento combina com a pessoa controladora que eu sempre fui. Mas não foi bem assim. A menstruação não regulava, atrasava e não era nada e eu fui achando que alguma coisa deveria estar errada.</p>
<p>Quando 2010 estava perto do fim, menos de um ano depois de eu ter pedido demissão da agência de notícias e ter iniciado uma carreira deliciosa como professora de inglês e tradutora, fui convidada a cobrir licença-maternidade na primeira agência de notícias que eu tinha trabalhado. Voltaria ao esquema de subir e descer a serra todo dia, mas topei.</p>
<p>Na época, estávamos planejando uma viagem aos Estados Unidos e o ano de 2011 começou com a busca para tirar passaporte, visto, planejar viagem, estrada todo dia. Em fevereiro, conversei com a médica e comentei da demora para engravidar e do ciclo irregular. Ela me pediu exames de acompanhamento de ovulação. Mas como eu trabalhava em outra cidade e estava com a cabeça ocupada com o desespero do agendamento do visto, acabei não agendando os exames.</p>
<p>Se eu tivesse, teria descoberto a gravidez logo no início.</p>
<p>Fomos até o Rio de Janeiro para tirar o visto. No avião da volta, parei para fazer contas e me toquei que estava atrasada há 42 dias. Na minha cabeça, a preocupação com o visto tinha atrasado até a minha menstruação (hahaha). Quando cheguei em casa, fui buscar meu cachorro que tinha ficado na casa da minha melhor amiga e comentei que estava tão tensa com a viagem aos EUA, que até minha menstruação tinha atrasado. “Gravidez, não?”, questionou minha amiga, tão certeira. Dei risada.</p>
<p>Demorei mais três dias para fazer o teste, com ela me pressionando todo dia a fazer, até que cheguei do trabalho numa quarta à noite, sentei para fazer xixi no palito e logo vi os dois risquinhos que mudaram completamente a minha vida.</p>
<p>Por algumas semanas, meu bebê foi chamado de “milho” por toda a família (devido ao tamanho minúsculo do feto), até que veio o resultado da sexagem fetal. Nunca tive dúvidas do nome. Era ela desde o início.</p>
<p>A gravidez contou com alguns pequenos sustos – um sangramento em Nova York, uma infecção grave do marido, com internação, que fez o chá de bebê ser adiado, um sangramento no final da gravidez e quando estava para completar 39 semanas, a constatação de que ela teria de nascer de cesárea quase que imediatamente.</p>
<p>O primeiro mês da minha foi bastante complicado para mim. Meu baby blues foi intenso, eu chorava muito, não conseguia dormir, tinha tremedeiras constantes, não me alimentava direito, mas conseguia completar minha primeira missão da maternidade: a amamentação. Sempre fui perfeccionista e se eu tinha lido que a amamentação é o ideal, esse teria que ser o meu objetivo. Meio louco pensar assim. Mas essa sou eu. Para mim, amamentar minha menina era um dos melhores momentos de ser mãe. O toque, aquele encontro de olhares, o poder de nutrir a minha filha. Nada superava aquilo.</p>
<p>Quando ela fez seis meses, estabeleci minha nova meta – sem saber que também se tornaria meu objetivo profissional. Eu, que mal sabia cozinhar e detestava legumes e verduras, decidi que prepararia todas as papinhas da minha menina. Queria uma filha que comesse bem.</p>
<p>E lá fui eu me aventurar na cozinha e pesquisar sobre o assunto.</p>
<p>Já contei que sou perfeccionista? Pois é.</p>
<p>Então, eu exigia de mim mesma fazer o que fosse mais correto. O ideal. Talvez não seja esse o melhor caminho, mas era o que me deixava mais segura. E para minha surpresa, era fácil e ela correspondia. Na primeira papinha ela devorou o prato. E veio a segunda, a terceira, a quarta, e dezenas de outras papinhas. Uma mais gostosa que a outra, uma mais aceita por ela que a outra.</p>
<p>Opa, acho que eu tenho talento para isso.</p>
<p>A pediatra mandava só amassar no garfo? Eu obedecia e dava certo.</p>
<p>Mandava aumentar os pedacinhos? Eu seguia e funcionava.</p>
<p>E assim fui criando a minha bebê que comia de tudo. Quando ela já tinha 1 ano e 3 meses e comia sozinha, meu pai lançou a pergunta decisiva da minha vida: por que você não investe nisso? Eu nunca vi uma criança dessa idade comer desse jeito e olha que eu criei três e conheço várias.</p>
<p>Eu havia voltado a trabalhar como tradutora quando minha filha tinha dois meses de vida, mas no mês daquela pergunta, eu tinha acabado de ser cortada da agência de notícias e estava procurando algo. Nem deixei a pergunta dele adormecer muito. A cabeça começou a funcionar a mil por hora. No meio da madrugada, acordei e mandei um e-mail para o marido com o assunto “vem comigo que no caminho eu explico”.</p>
<p>Ali eu contava para ele do nascimento da Chefe de Papinha. Criei a empresa em junho de 2013, apenas três meses depois daquela pergunta.</p>
<p>Minha filha foi o grande presente da minha vida. Eu sabia que queria mudar tudo para ser mãe, mas não sabia o quanto ela ia me mudar e como ela seria minha fonte de inspiração. Ela me desafia todos os dias, com sua inteligência, sua sagacidade.</p>
<p>Ela gosta de princesas e de super-heróis. Ela canta, dança, fala sozinha, é mais ligada do que eu. Ela negocia, ela argumenta, ela é independente. Minha filha nasceu para o mundo e ainda tem só quatro anos e meio. Ao mesmo tempo, ela é a criança mais carinhosa que eu já conheci. Todos os dias ela olha para mim e pergunta, “mamãe, você está feliz?”. Uma vez me chamou no meio da madrugada só para dizer que me amava. Quando ela solta a frase “eu te amo do coração para a vida toda”, ela derrete meu coração por inteiro. Sem dúvidas, ela já é minha maior parceira de vida.</p>
<p>Sou perfeccionista, mas bem longe de ser perfeita como mãe. Ainda não aprendi a equilibrar essa vida de mãe empreendedora. Me culpo quando estou trabalhando em casa e ela me chama para brincar. Quando ela diz “a mamãe só trabalha”, fico dilacerada por dentro. Mas também quero que ela aprenda que pode fazer e ser tudo que ela quiser. Sempre acho que estou deixando de fazer algo por ela. Todo dia penso que eu poderia ser melhor. A terapia me ajuda muito.</p>
<p>Agora estou na espera para ver se serei mãe novamente. Lembram da internação do meu marido na gravidez? Pois é, ela dificulta nossas chances de uma segunda gravidez. Nunca tinha ouvido falar em dificuldades de ter o segundo. A gente pensa, “ah, já tive um, certeza que posso ter outros”. Para a perfeccionista e controladora que sou, foi um baque.</p>
<p>Poucas pessoas sabem disso e eu ainda tenho que ouvir as dolorosas brincadeiras de “quando vem o segundinho? Não demora muito. Deixa de ser preguiçosa”. Só eu sei o quanto dói. Mas eu não desisti. E nem a minha filha, que fala da “irmã” todos os dias. É arrepiante ver como a “irmã” já existe na vida dela. Ela já escolhe presentes, ela conversa com a irmã por sonho, já até escolheu o nome.</p>
<p>Penso que se um dia eu for presenteada de novo com um filho, o presente maior será para ela, doida para ser irmã mais velha. Minha filha transformou a minha vida. Não sei mais como eu existia sem a existência dela. Ela me tornou mãe e por ela eu aprendo todos os dias essa loucura que é a maternidade. E eu não trocaria isso por nada.</p>
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		<title>Fui mãe aos 17 anos. Hoje, tenho uma família feliz</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2016 17:20:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Sirley Arthur, 35 anos, empresária, mãe de um rapaz de 18 anos e uma menina de 12. Quando eu e meu então namorado fomos contar aos meus pais que eu estava grávida, uma coisa que o meu pai me disse me marcou pra sempre. Tanto ele quanto a minha mãe perguntaram como nós deixamos...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Sirley Arthur, 35 anos, empresária, mãe de um rapaz de 18 anos e uma menina de 12.</p>
<p>Quando eu e meu então namorado fomos contar aos meus pais que eu estava grávida, uma coisa que o meu pai me disse me marcou pra sempre. Tanto ele quanto a minha mãe perguntaram como nós deixamos isso acontecer, o que a gente ia fazer. Mas ele me disse que na vida as portas nem sempre são largas.</p>
<p>Que antes se tivesse uma frestinha eu conseguiria passar, mas a partir daquele momento eu teria que escancará-las para conseguir passar não mais sozinha, mas com o meu filho e meu companheiro. O esforço teria que ser muito maior.</p>
<p>As portas se abririam com mais dificuldade. Mas nunca seria impossível fazer isso acontecer. Como resposta ao meu pai, eu disse que eu enfrentaria o que tivesse que enfrentar e que meu filho estaria sempre comigo.</p>
<p>Eu tinha 16 anos quando eu engravidei. E o que eu pensei era que se eu não sabia cuidar nem de mim, como iria cuidar de outra pessoa?</p>
<p>Eu estava no fim do segundo colegial, naquela fase de pensar no vestibular, no que ia querer da vida, decidir uma profissão. Eu já tinha decidido que ia fazer Direito. Meu pai e minha mãe sempre fizeram tudo por mim e pelo meu irmão e minha obrigação era estudar. E eu tinha as minhas atividades físicas. A quadra de basquete era uma paixão minha. Era onde eu passava grande parte do meu tempo livre. Eu estava envolvida em todas os eventos esportivos e culturais da minha escola, um colégio de freiras.</p>
<p>Antes de começar o terceiro ano eu descobri que estava grávida. Uma adolescente acha que nunca corre riscos.</p>
<p>Conversei bastante com o meu namorado, perguntamos o que a gente ia fazer. Ele disse que ia me apoiar no que eu decidisse, e eu disse que iria ter a criança. Tirar estava fora de cogitação.</p>
<p>O filho era meu e eu ia cuidar dele.</p>
<p>Meu pai chegou a dizer pro meu namorado que se ele quisesse assumir ele assumia, mas se ele quisesse ele podia sumir também.</p>
<p>Ele não sumiu. Ele ficou comigo.</p>
<p>Ele queria casar e eu falava pra ele que eu não sabia casar.</p>
<p>Mas a gente aprendeu junto. A gente aprendeu a cuidar do nosso filho juntos.</p>
<p>Antes de completar 17 anos eu estava casando. Eu fiz aniversário em maio e em julho o meu filho nasceu. Eu estava no meio do último ano do colégio. Eu não parei de estudar, eu peguei licença maternidade, fazia os trabalhos de escola e as provas em casa. Terminou o ano, eu me formei e fui a oradora da turma. Eu fui buscar o diploma com o meu filho nos braços.</p>
<p>Entre a descoberta da gravidez e o nascimento do meu filho as reações foram as mais diferentes possíveis.</p>
<p>Foi difícil pro meu pai aceitar, ele confiava demais em mim e era como se eu tivesse o traído. Eu sempre cumpri todas as minhas responsabilidades, então ele não aceitou muito bem. Aceitou o neto, mas demorou pra aceitar a situação. E minha mãe foi uma super mãe. Toda mãe precisa de uma mãe, de alguém que cuide dela. Ela foi a minha companheira.</p>
<p>Na escola foi um choque. Quando eu cheguei pro último ano eu estava com uma aliança de noivado na mão e os professores perguntavam se eu estava grávida. Mas no fim das contas a escola aceitou bem. Alguns amigos se afastaram, os pais dos amigos, principalmente das amigas, passaram a olhar diferente.</p>
<p>Achavam que eu poderia incentivar suas filhas a fazer alguma coisa e na verdade eu não queria incentivar ninguém a nada!</p>
<p>Mas eu tinha um motivo além de mim pra ser forte.</p>
<p>Não estou fazendo apologia nenhuma a ser mãe adolescente, não acho que isso seja algo saudável. Eu pulei uma etapa da minha vida. Eu tive que amadurecer rápido demais. Eu vejo fotos do meu casamento, do nascimento do meu filho e vejo que eu era uma criança. Uma criança cuidando de outra.</p>
<p>Eu tive que crescer à força. Eu deixei de fazer muita coisa. De descobrir muita coisa. As pessoas viram adultas e curtem aquela fase de não precisar mais dar satisfação pra mãe e pro pai. Ir numa festa, numa viagem. Eu não tive nada disso.</p>
<p>Filho é uma coisa preocupante. O caminho não foi fácil, mas depois eu me perguntava que coisa era aquela, que amor daquele tamanho era aquele. Eu não sabia que podia existir uma coisa tão grandiosa. Eu poderia fazer qualquer coisa por ele.</p>
<p>Eu sonhava em fazer faculdade em outra cidade, em uma grande universidade. Mas a única chance que eu tinha era fazer uma faculdade na cidade ao lado da minha. Estudei Direito como eu queria. No começo foi muito difícil, muita cobrança.</p>
<p>A vida mudou muito. Quando você não tem filho você senta e estuda. Você pode ter horários, se dedicar àquilo. Com filho foi difícil. Eu tinha que estudar, cuidar do meu filho, amamentar, eu comecei a trabalhar um pouco em casa. Meu marido também era novo, e embora no começo a gente morasse com os meus pais, do mesmo jeito que eu não tinha planejado ele também não.</p>
<p>Eu chegava a chorar porque eu não conseguia fazer as coisas. O primeiro dia em que eu deixei meu filho na escola foi uma luta imensa. Ele ainda era bebê, ia chorando pra escola. Eu achava que poderiam estar maltratando-o, eu me sentia a pior pessoa do mundo. Como se fosse um crime que eu estava cometendo. Mas eu não tinha escolha: eu precisava trabalhar, continuar estudando. No começo eu fazia faculdade a noite e trabalhava em casa durante o dia. À noite meu marido chegava e ficava cuidando do meu filho com a minha mãe – que foi minha mãe, mãe do meu marido, mãe do meu filho. Ela me ajudou muito.</p>
<p>Depois eu passei a estudar de manhã e meu filho também ia pra escola nesse horário. Chorando, reclamando, ficando doente. Com o tempo, eu fui ficando mais em paz, entendi que era necessário. Eu não podia cria-lo numa redoma. As coisas foram ficando um pouco mais tranquilas.</p>
<p>A gente foi batalhando, foi enfrentando. Foi vencendo.</p>
<p>Era muita coisa pra ser aprendida ao mesmo tempo. Aprender a ser mãe, a ser esposa. O namoro é tão fácil, confortável. Quando você briga você passa uns dias sem se ver. Quando casa, tem que aprender a resolver. Tem que deitar e dormir junto. A gente foi aprendendo, sobrevivendo, passando por todas as crises conjugais e maternais.</p>
<p>E uma coisa que eu sempre soube era que, mesmo tendo meu primeiro filho do jeito que foi, eu queria outro bebê. Eu queria uma filha. Eu desejava um casal de filhos.</p>
<p>Se o primeiro não foi planejado, a segunda foi. Mas eu também não tinha condições. Eu queria muito, e quando eu estava no final da faculdade eu falei pro meu marido sobre as condições em que a gente estava vivendo. Ele tinha aberto uma empresa própria e a gente estava lutando pra pagar as contas.</p>
<p>- Se a gente for esperar a melhor hora, a casa quitada, carro na garagem e dinheiro na poupança, a gente não vai ter outro filho.</p>
<p>Dez dias depois eu descobri que eu estava grávida.</p>
<p>Quase seis anos depois do nascimento do meu primeiro filho, nasceu a minha caçula. Na formatura do colegial meu filho estava no meu colo. Na formatura da faculdade minha filha estava na minha barriga, quase nascendo.</p>
<p>A segunda gravidez foi planejada com o coração porque se fosse com a cabeça não seria o melhor momento. Mas a gente era um casal que estava junto há seis anos e queria ter um novo filho.</p>
<p>Os seis primeiros anos do meu filho foram também os meus anos de faculdade, meus primeiros anos de casamento e do início da nossa empresa. Foi muita coisa nova. Dificuldades financeiras. Mas a gente enfrentou tudo junto. Depois desses seis anos nós nos fortalecemos como família. Até então a gente tinha o suporte das nossas famílias, e a partir dali a gente foi se virar sozinho. Foi bom, foi uma nova etapa.</p>
<p>Então eu digo que em 2004, quando minha filha nasceu, começou um novo ciclo. Meu filho estava mais independente. A gente trabalhou muito, construímos nossa casa. Descobri que eu não queria mais ser advogada. Eu não concordava com muita coisa que eu via, aquilo não era pra mim. Fui trabalhar e trabalhei mais ainda.</p>
<p>Quando minha filha tinha uma semana eu voltei a trabalhar de casa.</p>
<p>Hoje a gente olhando parece tudo mais fácil. Meu filho tem 18 anos. E depois de tudo você olha e acha que tudo valeu a pena. Tudo teve seus sabores e dessabores. Foram anos de luta, mas de glória também.</p>
<p>Eu estou terminando a minha segunda faculdade. Estudo administração e não pretendo parar por aí. O incentivo de fazer uma segunda faculdade foi do meu filho. Ele disse que ajudaria, que ficaria com a irmã.</p>
<p>E ele ajuda mesmo. Eu não tenho do que reclamar dele.</p>
<p>Óbvio que a gente briga como mãe e filho, eu sou exigente até demais, pego no pé, mas eu sempre digo que a mordida da onça não mata o filhote. E que até quando eu estiver velha eu vou continuar cuidando deles, pegando no pé. A minha função é cuidar deles, ajudar a torna-los cidadãos. Homens e mulheres honestos, de caráter e de respeito. Eu quero que eles sejam pessoas de caráter. Que sejam queridos pelas pessoas.</p>
<p>Meu filho está na faculdade, aprendendo a trilhar os próprios caminhos. Minha filha também é muito responsável e eu só posso agradecer pelos filhos que eu tenho. Eles são o que eu tenho e fiz de melhor.</p>
<p>Meu casamento tem sido ótimo. Temos altos e baixos. Nós somos uma família. Uma família de verdade, onde todo mundo se ajuda, se critica e se ama. Todo mundo se respeita.</p>
<p>A maioria das minhas amigas que eu tinha aos 17 anos e que eu ainda mantenho o contato estão casando agora, tendo ou pensando em ter seus filhos agora. E os meus filhos estão praticamente criados. Meu filho já é um homem, já responde pelos próprios atos.</p>
<p>A gente senta pra ter uma refeição e meu filho mostra as opiniões políticas, ideológicas. Tem posições, aceita umas coisas e não aceita outras. Hoje ele trabalha com a gente. É uma força nova. A gente tem diálogo, e isso é muito gostoso.</p>
<p>Eu com 35 anos, meu marido com 40, meu filho com 18 e minha filha com 12. Cada um com uma opinião. E eles me ensinam a pensar de um jeito diferente.</p>
<p>Meu caminho foi difícil, mas também foi bom e, principalmente: não foi impossível. Com amor e dedicação a gente supera qualquer coisa.</p>
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		<title>Conquistei a guarda do meu filho, mas o deixei morar com o pai</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2016 20:06:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Joice Garcia, professora e mãe de um menino de 12 anos Por um ano lutei judicialmente pela guarda do meu filho. Tive o alívio da vitória, mas decidi que ele pode morar com o pai. Estamos conversando sobre como as coisas vão acontecer. Dia a dia estou construindo a tranquilidade para conviver com essa...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Joice Garcia, professora e mãe de um menino de 12 anos</p>
<p>Por um ano lutei judicialmente pela guarda do meu filho. Tive o alívio da vitória, mas decidi que ele pode morar com o pai. Estamos conversando sobre como as coisas vão acontecer. Dia a dia estou construindo a tranquilidade para conviver com essa decisão, mas tem sido muito difícil. Eu estou confiando na relação que construímos para que ele possa ir e para que eu fique em paz comigo mesma. Lutei muito para chegar até aqui.</p>
<p>Eu queria ser mãe, mas não naquele momento. Estava no terceiro ano da faculdade quando me casei. Três meses depois, engravidei. Não houve planejamento. Foi um susto no princípio. Eu não me via como mãe, não estava preparada para a responsabilidade. Tinha uma visão romântica e achava que ter um filho não ia interferir em nada. Quando eu engravidei, meu ex-marido ficou super feliz. Eu desconfio que ele conduziu as coisas para que eu engravidasse naquele momento. É importante dizer aqui que vivia numa relação violência e abusiva. Uma semana depois de nos casarmos, ele me jogou na cama, me estapeava e dizia que ia me educar como meu pai não havia feito.</p>
<p>Nessa época, eu tomava um remédio que poderia afetar os efeitos do anticoncepcional e ele sabia disso. Mas ignorou. O nosso relacionamento não era legal e acredito que ele temia o fim. Nós quase nunca transávamos, mas na semana que engravidei ele quis ter relações sexuais todos os dias. É uma coisa da qual não tenho certeza, mas considerando o comportamento extremamente manipulador dele, não duvido.</p>
<p>A gravidez foi muito difícil. Eu tinha as obrigações acadêmicas do penúltimo ano, faltava dinheiro e as agressões só pioravam. Tudo acontecia em ciclos. Tinha a fase dos carinhos, das flores, das agressões verbais, da manipulação, da culpabilização e, por fim, as agressões físicas como punição. Ele dizia que não ia me espancar pois isso deixava marcas e ele tinha que evitar.</p>
<p>Quando eu estava no sétimo mês de gravidez, ele empurrou e eu bati as costas na parede e caí. Ali eu pensei que ele teria machucado o bebê, além de mim. Meu filho nasceu com uma cicatriz na cabeça. Não uma marca de nascença. Uma cicatriz. E mesmo que não tenha sido esse episódio, até hoje olho para a marca na cabeça do meu menino e penso em tudo que sofremos. Em silêncio.</p>
<p>Eu nunca tinha contado nada a ninguém. Por medo, por vergonha, por culpa. Eu achava que a culpa era minha.</p>
<p>Quando meu filho nasceu, passou tanta coisa pela minha cabeça. Eu só pensava se iria dar conta sozinha. Até amamentar era um desafio pra mim. Não havia espaço e tranquilidade para ser mãe, mas eu acreditava que o nosso filho faria o pai mudar. Mas piorou.</p>
<p>Ele me agredia psicologicamente, cobrando de mim uma postura de &#8220;mãe perfeita&#8221;. Eu fazia tudo sozinha: cuidava do nosso filho, da casa e escrevia meu projeto de conclusão de curso. Sempre chorando. Me sentia rejeitada, feia, incapaz. Não me reconhecia nem na função de esposa nem na de mãe. Pra mim, elas eram uma coisa só. Achava que tinha que dar conta das duas e fazer tudo com excelência. Sempre achava que estava errando na louça que não lavava, quando “perdia” a hora de trocar fralda porque estava estudando.</p>
<p>Na época morávamos numa cidade e eu fazia faculdade em outra. Deixava meu filho com meus pais e ia estudar. Esse era meu momento de tranquilidade. Ele estava seguro. E eu também.<br />
Lembro que um dia, pouco antes de sair, apanhei. Quando cheguei onde estudava, contei para uma amiga. Foi a primeira vez que falei das violências que sofria. Tinha medo dos julgamentos. Eu queria apoio, colo. Queria que me dissessem que eu não tinha culpa. Tirei 200 kg das costas e então comecei a mudar.</p>
<p>Passei a observar mais as atitudes dele como vítima e não como culpada. Quando a Lei Maria da Penha entrou em vigência, ele parou de me agredir fisicamente. Demorou alguns anos ainda. Comecei a trabalhar. Me apeguei à minha profissão e ao meu filho, que já estava com oito anos. Eu sabia que um dia poderia ser uma pessoa de novo. Então, eu pedi o divórcio. Inconformado com isso, ele levou quatro meses para sair de casa. Eu tinha pressa em me libertar e brigávamos todos os dias. Ele aceitou o fim, mas contou ao nosso filho que íamos nos separar porque eu nunca o perdoei e nunca superei a violência.</p>
<p>Eu fiquei possessa com aquilo. Não queria que meu filho soubesse. Mas, aos oito anos, ele me defendeu. Chorou muito. Disse que o pai nunca respeitou a mim ou a vida dele, nem mesmo quando ele estava na barriga. E passou a questionar meu silêncio. E foi nesse momento que a alienação parental começou. Ele sabia que, em algum momento, eu ia contar e se antecipou.</p>
<p>Mas quando eu me separei, me sentia capaz de tudo. Estava feliz, radiante em cuidar do meu filho, em pensar na minha carreira, em me divertir com os amigos. Meus pais me ajudaram e compraram minha casa para dar a metade ao ex-marido e me libertar de vez. Passamos a morar todos juntos e eles me apoiavam na educação do meu filho.</p>
<p>Mas tudo mudou quando decidi me casar novamente e mudar de estado.</p>
<p>A partir daí, ele começou a dizer ao nosso filho que eles deveriam morar juntos. O convenceu disso e pediu para ele não me contar esses planos. E entrou com um processo de alienação parental com modificação de guarda. Foi horrível. Ele chegou a entrar com uma liminar me impedindo de levar nosso filho comigo alegando que eu o tinha tirado da escola antes do fim do período letivo. O juiz entendeu que eu estava realmente fugindo com a criança. O que mais me desgastava eram as mentiras e as ofensas que afetavam a minha relação com meu filho. Chegaram a questionar a violência que eu sofria. Minha vida tinha parado de novo. Respirei fundo e mudei de estado. Deixei meu filho com meus pais, por quatro meses. Ele estava seguro. E fui construir uma base para quando ele voltasse.</p>
<p>Ao fim de um ano, venci o processo.</p>
<p>Então, nas últimas férias, meu filho voltou da casa do pai muito diferente de como ele foi. Disse que queria morar com ele, mas sem processo.</p>
<p>Eu concordei.</p>
<p>Ele vai por um período de seis meses, como uma experiência. Choro todos os dias. Mas está na hora de deixar meu filho crescer e perceber as coisas por si só. Ele me defende diante do pai e da família paterna mas eles oferecem uma vida que é muito distante do que ofereço: cinema, diversão e sorvete todos os dias, por exemplo. Eu fiquei com a tarefa de sustentar e educar. Falta tempo para cinema e diversão.</p>
<p>Além disso, ele tem 12 anos de idade. A decisão dele conta no processo. Não preciso daquilo de novo. Eu sei que vou ser julgada e apedrejada por deixar ele ir. Mas foi um longo caminho. Meu filho tem uma relação com o pai. É direito deles viverem isso. Eu sei que ele vai ser bem cuidado e amado. Mas eu choro todos os dias com medo da alienação nos afastar. Eu e meu menino passamos por tantas coisas juntos.</p>
<p>Hoje, olho para aquela menina que eu era quando engravidou e, se pudesse, diria a ela que nada daquilo precisava ter acontecido. Que ela é forte. E diria para a mulher que enfrentou aquele processo que vai ficar tudo bem. É o que tenho me dito todos os dias: está tudo bem. Me pergunto em que momento eu mudei. Não sei. A vida exigiu que eu me resgatasse. Que eu me salvasse. Em algum momento, passei a sentir um amor imenso por mim e isso mudou tudo.</p>
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		<title>Eu preciso lutar pelos direitos da minha filha</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2016 16:37:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Sílvia Alves, 26 anos, bailarina, pesquisadora de danças negras, turbantista e produtora cultural, mãe de uma menina de um ano. Um povo que não conhece a sua própria História não tem auto-estima. E o que eu quero e devo fazer pela minha filha é ajudar a construir a dela. Eu quero que ela cresça...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Sílvia Alves, 26 anos, bailarina, pesquisadora de danças negras, turbantista e produtora cultural, mãe de uma menina de um ano.</p>
<p>Um povo que não conhece a sua própria História não tem auto-estima. E o que eu quero e devo fazer pela minha filha é ajudar a construir a dela. Eu quero que ela cresça sabendo que o cabelo crespo dela é lindo. Quero contar pra ela histórias sobre os negros que não são contadas.</p>
<p>A minha filha vai precisar se preparar para viver em um sistema que ainda é racista. E ela precisa das ferramentas para lutar contra isso: conhecimento e postura.</p>
<p>E eu sempre vou ser o exemplo dela.</p>
<p>A minha gravidez não foi planejada. Eu sou bailarina e trabalho também como pesquisadora de danças negras – além de ser produtora cultural, turbantista e, claro, mãe! Eu conheci o pai da minha filha quando estava fazendo um trabalho de pesquisa de danças de Moçambique. Ele é de lá e durante os três meses em que eu trabalhei com ele, eu engravidei. Porém nunca tivemos avanços em nossa relação.</p>
<p>A minha gravidez foi muito agitada e eu dancei até uma semana antes da minha menina nascer. Eu me prepararei para um parto natural, com parteira e doula. Mas a situação emocional pesou, eu perdi muito líquido e tive que ser submetida a uma cesárea de emergência. Foi uma experiência bem traumática pois o parto natural era muito importante para mim. Depois que minha filha nasceu, eu tive depressão pós-parto.</p>
<p>Houve momentos nessa história em que eu perdi a mim mesma. Eu acho que a perda de si mesma é algo que acontece com muitas mulheres quando passam por problemas e se deixam levar por pensamentos opressores e machistas que permeiam a sociedade em que vivemos, ainda mais quando nós somos mães solo.</p>
<p>Porém nós não precisamos acreditar nas histórias contadas. Nós podemos fazer a nossa própria história com altivez e sabedoria. Não precisamos entregar nossos valores assim tão fácil, calar nossa voz, desligar nosso canto. Não podemos permitir que nossa vida criativa se perca, as boas notícias consistem em podermos reviver nossas vidas.</p>
<p>E a mensagem positiva disso tudo é que eu me fortaleci. Saí de uma situação que estava acabando comigo. Voltei a ser eu mesma. Eu me reencontrei por causa da minha filha.</p>
<p>Lutar pela minha filha significa também se ater as questões raciais. Nós duas vivemos em um país onde o racismo é estrutural e velado. São olhares, maneiras como as pessoas nos tratam.</p>
<p>Somente agora eu começo a ver uma mudança na questão da estética negra. Eu passei a minha adolescência inteira alisando o cabelo. Temos um grupo de mulheres negras onde muitas delas têm cicatrizes no rosto por passarem ferro quente no cabelo.</p>
<p>Um dia, eu estava com a minha filha em uma farmácia e uma mulher nos olhou com cara de nojo, vendo os nossos cabelos, crespos. Iguais.</p>
<p>Lindos.</p>
<p>Em outro dia, eu estava com a minha filha no sling em um ponto, esperando um ônibus. De repente, uma mulher me abordou cheia de moedas na mão. Assustada, eu perguntei o que era aquilo.</p>
<p>“Isso é pra você comprar alguma coisa para a sua filha”.</p>
<p>Foi humilhante. E o que mais doeu foi a certeza que ela tinha de que estava fazendo a coisa certa.</p>
<p>Quando eu disse que não precisava daquele dinheiro, ela insistiu, incrédula. Quando eu recusei novamente, ela saiu de perto.</p>
<p>No dia seguinte, aconteceu de novo.</p>
<p>Eu também estava em um ponto de ônibus com a minha filha. Aqui em Natal a gente entra pela porta da frente, mas não existem bancos antes da catraca. Então, como a minha filha está sempre no sling, eu peço para entrar pela porta de trás, pago a passagem e giro a catraca.</p>
<p>Naquele dia não foi tão simples assim.</p>
<p>Quando o ônibus chegou e eu fiz o pedido habitual, mas o motorista gritou que haviam câmeras e ele não podia fazer aquilo. Por alguns instantes eu não entendi nada. Uma mulher disse que eu estava com uma criança. Nada aconteceu. Na verdade, só aconteceu quando outra disse:</p>
<p>- Motorista, ela vai pagar.</p>
<p>E a porta de trás do ônibus se abriu.</p>
<p>Isso é preconceito racial por conta da minha aparência. Ou se eu fosse branca essas duas situações teriam acontecido? É claro que não. O racismo cotidiano precisa ser desconstruído.</p>
<p>Mesmo diante desse episódio, o meu dia não foi perdido. Eu já estava dentro do ônibus, com vergonha e triste, quando um fotógrafo entrou. Depois de algum ensaio, ele me abordou. Explicou que tira fotos de pessoas com estéticas diferentes e que estudou a questão do empoderamento negro.</p>
<p>E pediu para tirar fotos minhas e da minha filha. E eu aceitei. Naquele dia, e em tantos outros dias, eu estava com uma roupa colorida. A roupa mostra quem a gente é e eu faço questão de enaltecer a cultura negra através dela.</p>
<p>A minha filha está com um pouco mais de um ano. Está começando a andar, mas já adora dançar. Eu quero aproveitar cada segundo do crescimento dela. Ela me acompanha onde eu vou e eu quero que ela cresça sabendo quem ela é, conhecendo a sua história.</p>
<p>Eu acredito muito em sonhos. E há uns tempos atrás eu sonhei que eu virava uma leoa para proteger a minha filha. Eu preciso lutar por ela, pelos direitos dela. Eu sei que muitas mulheres passam por isso, mas eu também sei que poucas têm essa força.</p>
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