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	<title>Mãe Geek &#187; bebes</title>
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	<description>Blog para a mãe e pai geek, nerd, dork. Os post dão dicas e incluem assuntos sobre tecnologia, internet, gadgets, videogames, brinquedos, filmes, livros, viagens, etc..</description>
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		<title>Eu amamentei um bebê desconhecido</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2016 18:35:37 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Ana Paula Moutinho, policial militar, mãe de um menino de um ano Eu sofri quarto abortos espontâneos antes de conseguir engravidar. Mas é possível que eu tenha tido outras perdas que sequer foram detectadas. Comecei a tentar ter um filho há nove anos, quando parei de tomar a pílula. Quando consegui engravidar, o pai...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Ana Paula Moutinho, policial militar, mãe de um menino de um ano</p>
<p>Eu sofri quarto abortos espontâneos antes de conseguir engravidar. Mas é possível que eu tenha tido outras perdas que sequer foram detectadas. Comecei a tentar ter um filho há nove anos, quando parei de tomar a pílula.</p>
<p>Quando consegui engravidar, o pai do meu filho sumiu diante da notícia. E não foi só isso. Assim que eu descobri que seria mãe, minha avó morreu. No quinto mês de gestação foi a vez da minha mãe e no sétimo, do meu tio. Tive que mudar de cidade e voltar para a capital neste período. Foi uma gravidez muito conturbada. Mas o meu moleque nasceu saudável mesmo assim.</p>
<p>Eu sou policial militar, trabalho das 9h às 18h mais escala de supervisão de 24 horas, e posso contar apenas com a ajuda de uma ex caseira do meu pai no dia a dia e da minha madrinha nos finais de semana, mas era mora longe de mim. Mas eu tenho a sorte de ter um filho levado, mas bonzinho. Ele fica muito bem com quem estiver cuidando dele.</p>
<p>Eu vejo muitas coisas ruins acontecerem todos os dias, e depois que o meu filho nasceu eu fico mais apreensiva quando me vejo exposta a algum risco.</p>
<p>Há cerca de vinte dias eu estava na Supervisão de Operações e ouvi no rádio da viatura a ocorrência de uma mulher que teria abandonado um bebê em uma igreja. Como a viatura que atenderia a ocorrência estava longe, e também pela complexidade do caso, resolvi passar no local pra ver.</p>
<p>Quando cheguei lá a mãe, dependente química, estava bastante irritada e dizendo que ou alguém ficaria com a criança ou ela a jogaria em qualquer lugar. Perguntei se ninguém da família queria e ela disse que talvez a sogra aceitasse. Perguntei se ela tinha o contato dessa sogra e ela ficou de buscar em casa.</p>
<p>Mas o bebê já estava no meu colo desde o começo. A mãe falou que iria buscar o telefone e eu falei que com o bebê ela não iria e ela concordou.</p>
<p>Sinceramente, nós achamos que não voltaria.</p>
<p>O bebê já estava chorando muito, e piorou. Eu cheguei até a pedir para comprarem leite e mamadeira, mas achei que ele estava sofrendo muito.</p>
<p>Eu já estava trabalhando há doze horas e meu peito estava cheio de leite. Então resolvi amamenta-lo. Ele pegou meu peito imediatamente e com muita força. Mamou por mais de uma hora, cochilava no meio e quando eu tentava tirar ele voltava a chorar.</p>
<p>A mãe voltou com a bolsa do bebê e eu disse que teríamos que ir pra delegacia. Ela não quis pegar o filho e eles foram em viaturas separadas. O bebê foi comigo, ainda mamando. Quando chegamos na delegacia chamei o Conselho Tutelar e consegui falar com a sogra dela, avó do bebê. Ela ficou com ele.</p>
<p>Pode parecer frieza, mas confesso que isso não me abalou muito. Estou acostumada e ver coisas difíceis, mas isso me deu uma saudade enorme do meu filho naquele momento. Era uma vontade enorme de cuidar, acarinhar, proteger.</p>
<p>Ele me fez muita falta muito grande quando estou trabalhando. Eu sinto ciúme das pessoas que cuidam dele e não me imagino sem ele. Tudo isso fez com que eu dimensionasse o tamanho do meu amor pelo meu filho.</p>
<p>E é enorme.</p>
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		<title>Uma mãe apaixonada por animes</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2016 16:51:12 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Marcia Zymberknopf, 41 anos, advogada, mãe de um menino de 13 anos e um de três. Eu sou a única mulher na minha casa. Tenho meu marido, meus dois meninos e até o gato é macho. Mas eu acredito que eu fui programada para ser mãe de menino mesmo. Eu adoro brinquedos e desenhos...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Marcia Zymberknopf, 41 anos, advogada, mãe de um menino de 13 anos e um de três.</p>
<p>Eu sou a única mulher na minha casa. Tenho meu marido, meus dois meninos e até o gato é macho. Mas eu acredito que eu fui programada para ser mãe de menino mesmo. Eu adoro brinquedos e desenhos “de menino”.</p>
<p>Eu sou apaixonada por animes. Eu sou advogada na prefeitura da minha cidade e o meu trabalho é muito sério e frio. E é assim que eu gosto de relaxar. São histórias muito boas que mostram que o esforço sempre vale a pena, fora que são muito engraçadas.</p>
<p>Eu amo de verdade animes japoneses e consegui passar essa adoração para o meu filho mais velho. Ele agora gosta de indicar novos desenhos pra mim, mas é uma pena que ele, ao contrário de mim, não goste muito de mangás.</p>
<p>Quando meu caçula tiver uns cinco anos, vou apresentar o Naruto pra ele.</p>
<p>Eu sempre, sempre, sempre quis ser mãe e sabia que um dia eu seria, assim como sempre tentei fazer as coisas sempre certas na minha vida. Eu me casei em 2000 e fiquei morando com a minha sogra até conseguirmos construir a nossa casa, ou pelo menos parte dela para ser habitável &#8211; porque a minha casa está em eterna construção. Nos mudamos em outubro de 2002.</p>
<p>Até esta época nós evitávamos ter filhos, mas quando nos mudamos, sem discutir o assunto oficialmente, acho que deixamos ver o que iria acontecer. Eu fiquei grávida mais ou menos em dezembro de 2002. Foi uma alegria infinita. Eu tive uma gravidez ultra tranquila, o pior que acontecia era cair a pressão, mas nada que um sal de fruta não resolvesse. Eu consegui até fazer hidroginástica e caminhada.</p>
<p>Meu primeiro filho nasceu de parto normal e eu me sentia pronta para encarar meu papel de mãe. O que mais me recordo quando viemos para casa é que eu ficava olhando para ele e dizia para o meu marido: nossa, não é incrível, ele sempre vai estar aqui! Realmente não acreditava que aquele menininho tão lindo era meu.</p>
<p>Eu também sempre digo para a minha mãe que ser mãe dele sempre foi fácil, ele é muito obediente, amoroso, bonzinho, dormia a noite inteira e até hoje eu fico surpresa com isso. Meus pais também sempre me ajudaram com ele, levando na escolinha, buscando para mim, cuidando dele quando eu não podia. Eu me considero super sortuda, tenho todo o apoio dos meus pais e nem sei o que faria sem eles.</p>
<p>E então, eu que já estava acostumada com a minha vidinha sossegada me dei conta que estava chegando nos quarenta e nada de ter outro filhinho. O que também me fez ficar pensando foi a corajosa da minha irmã adotando duas crianças com uma grande diferença de idade entre elas.</p>
<p>E dessa vez, sem falar nada para o meu marido eu decidi ficar grávida. Peguei a cartela da pílula e joguei fora. Pouco tempo depois eu já estava grávida. Assim como na primeira gravidez, foi tudo muito tranquilo. Não pude fazer hidroginástica ou caminhada porque dessa vez eu tinha que também dar atenção para o mais velho, mas deu tudo certo.</p>
<p>Os primeiros sinais de parto acho que já me avisaram do furacão que estava chegando!</p>
<p>Na primeira gravidez a bolsa não arrebentou, então quando eu me vi molhada na cama às 23h30 eu fiquei bem assustada. Chamei meus pais para ficarem com o mais velho e lá fomos nós para o hospital. As contrações também me deixaram muito nervosa, foi tudo muito diferente, porque eu tinha chegado às 20h30 no hospital e as 22h00 ele tinha nascido. Mas na segunda vez&#8230;fiquei lá sentindo toda aquela dor até as seis da manhã, quando a médica chegou. O meu médico estava viajando, então o meu parto seria feito por outra médica.</p>
<p>A primeira coisa que eu pedi foi aquela anestesia que tinham me prometido.</p>
<p>No primeiro parto eu sequer tomei anestesia, mas daquela vez eu queria sim! Então eu fui levada para a sala e a medica não deixou meu marido entrar na sala. Eu não conseguia fazer a menor força por causa daquelas dores, então finalmente deram a bendita anestesia e as fotos que o meu marido tirou lá do outro lado do vidro ficaram hilárias com a minha cara de feliz sem dor.</p>
<p>Meu caçula nasceu com o cordão enrolado no pescoço mas deu tudo muito certo. Meu filho mais velho começou a mamar como um profissional, mas o menor deu trabalho, ficava bravo, não conseguia pegar o bico e me machucou bastante.</p>
<p>Como pode a gente ter dois filhos tão diferentes?</p>
<p>Eu sinto que tenho dois filhos únicos.</p>
<p>Meu caçula nunca foi tranquilo como o irmão. No comecinho ele até dormia, mas um tempo depois acho que eu passei aquela prova que todas as mães comentam: a falta absoluta de dormir. Eu acordava a cada 45 minutos, amamentava mas ele não dormia, virava, virava no berço e parecia muito incomodado. Piorou quando voltei a trabalhar e ele passou a tomar fórmula.</p>
<p>Foi uma loucura para fazer com ele comesse, foi uma loucura para fazer com que ele tomasse o leite artificial e nada de dormir. Chegamos a leva-lo em uma médica especialista em sono infantil que ouviu minha história e disse que não era comportamental, porque a nossa rotina estava correta. Pediu exame para verificar se era refluxo e descobrimos o tal do refluxo interno, coitadinho. Passamos a dar leite de soja e as coisas melhoram um pouco, mas só o suficiente para eu dormir umas três horas seguidas.</p>
<p>Atualmente eu decidi que não adianta eu ser tão rígida. A rotina para começar a dormir é fácil, mas o problema é que ele ainda acorda de noite me chamando. Bem, eu coloquei um colchão do lado da caminha dele. Quando ele me chama nem penso em voltar para o quarto, já fico por lá mesmo.</p>
<p>Uma mudança na administração municipal fez com que o controle da minha jornada de trabalho fosse mais flexível, porque conseguimos provar que advogados não trabalham com horário, mas com prazos. Assim, agora eu trabalho durante sete horas corridas e consigo ficar com o meu caçula todas as manhãs.</p>
<p>Meu filho caçula é um menino super comilão. Come de tudo e adora comer. Provoca muito o irmão, que por sua vez também não deixa barato e quer competir com o pequeno. Até acho engraçado, com dez anos, um mês e um dia de diferença entre os dois eles brincam e brigam como se fossem da mesma idade.</p>
<p>O caçula também está aprendendo a ser mais sociável e menos bravo. Enquanto o primeiro era o &#8216;mordido&#8217; na escola, o menor fui descobrir que é o &#8216;mordedor&#8217;.</p>
<p>Eles são muito, muito diferentes e eu me sinto como mãe de primeira viagem mesmo, pois tudo que aprendi com o meu primeiro filho não ser aplicado no caso do caçula, que tem uma personalidade muito diferente.</p>
<p>E agora o meu filho mais velho está entrando na adolescência. Eu adoro acompanhar as mudanças no corpo e até no comportamento dele.</p>
<p>Eu tenho medo de não ter a energia necessária para dar conta do caçula, eu fico arrependida também de ter deixado passar tanto tempo e agora estou mais velha e um pensamento que eu tento afastar de qualquer jeito é a idade que vou estar quando o maior tiver 40 e o menor tiver 30&#8230; rezo para que eu viva bastante e viva bem, porque como toda mãe nós não podemos morrer, não é mesmo?</p>
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		<title>De repente tudo fez sentido</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2016 03:01:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Carolina Marcondes, 35 anos, jornalista, mãe de um menino de dois anos Acabei de voltar da escolinha do meu filho. Hoje fizemos a festinha de aniversário dele. O tema da festa foi o mesmo da comemoração que fizemos no último fim de semana: a turma do Snoopy. Tão pequeno atrás da mesa, ele não...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Carolina Marcondes, 35 anos, jornalista, mãe de um menino de dois anos</p>
<p>Acabei de voltar da escolinha do meu filho. Hoje fizemos a festinha de aniversário dele. O tema da festa foi o mesmo da comemoração que fizemos no último fim de semana: a turma do Snoopy. Tão pequeno atrás da mesa, ele não conseguiu apagar a velinha.</p>
<p>O meu filho já tem dois anos.</p>
<p>Eu não me lembro exatamente quando foi que eu decidi que eu queria ser mãe. Acho que pra mim isso era uma coisa meio óbvia, e talvez eu tenha caído na armadilha que o mundo prega na gente desde sempre, dizendo que toda mulher precisa ser mãe, que esse é o sentido da nossa vida.</p>
<p>Ele é o sentido da minha vida, sim. Mas precisa ser assim com toda mulher?</p>
<p>Eu nasci em uma cidade pequena e desde sempre sabia que não iria viver lá pra sempre. Os meus sonhos de criança sempre começaram com “quando eu me mudar para (insira aqui opções como São Paulo, Londres ou Nova York)”. Aos 18 fui embora para viver com o meu pai, com quem tive uma relação difícil durante a adolescência. Mas viver somente com ele em um apartamento foi fundamental para que ele se tornasse o melhor pai que eu poderia ter, e para entender o quanto a presença da minha mãe, que ficou no interior, era importante pra mim.</p>
<p>Depois que meu pai aceitou uma proposta de emprego fora da cidade as coisas passaram a acontecer de uma maneira muito rápida: minha carreira de jornalista deslanchou, fui dividir o apartamento com uma desconhecida meio biruta e conheci o meu marido. Viajei muito – e ainda viajo, conheci tantos lugares que eu sempre sonhei, não parei de estudar.</p>
<p>A vida estava de acordo com as expectativas – as minhas e as dos outros. Casada, com casa própria e uma carreira estável. Europa nas férias.</p>
<p>O sonho de ser mãe continuava ali, mas teve aquele dia.</p>
<p>Aquele dia, aos 32 anos, em que eu acordei e decidi: estava na hora de engravidar.</p>
<p>Eu nem pensei direito. Marquei consulta no médico, fiz os exames, conversei com meu marido, o médico disse que levaria de seis meses a um ano pra engravidar, tirei férias.</p>
<p>Três meses depois da decisão de engravidar, eu engravidei.</p>
<p>Quando fui fazer o exame Beta HCG, já que o teste de farmácia deu resultado inconclusivo, a enfermeira perguntou se eu queria que desse positivo.</p>
<p>Sim, eu queria. Mas não, eu não fazia ideia do que estava por vir.</p>
<p>Porque a partir daquele dia em que eu abri o resultado pela internet e fui chorar no banheiro do escritório, mudou tudo. Não só o corpo, as responsabilidades, as prioridades. Mudou o meu jeito de ver o mundo. Nasceu a vontade de entregar um mundo melhor pro meu filho. De entregar um bom homem pro mundo. Responsável, respeitoso, bom caráter, bem humorado. De ser uma pessoa melhor. Ser uma pessoa que ele queira por perto não apenas por ser a mãe dele, mas por ser uma boa pessoa.</p>
<p>Meu filho nasceu numa manhã de sexta-feira e eu não me lembro direito do momento em que eu o peguei no colo, já no quarto do hospital. É uma memória que eu gostaria de ter e não tenho. Não me lembro direito da primeira vez que ele mamou.</p>
<p>Nos primeiros dias do meu bebê em casa, eu chorei muito. Chorava por não conseguir fazer ele dormir, porque ele queria mamar o tempo inteiro, e porque muitas vezes eu me perguntei onde é que eu estava com a cabeça quando decidi ser mãe.</p>
<p>Toda mãe no puerpério, nem que seja por um segundo, se faz essa pergunta. E com sinceridade.</p>
<p>Quando meu filho nasceu antes de mais nada veio um sentimento de proteção. Algo meio instintivo do tipo “eu preciso mantê-lo vivo”. Porque o amor, esse amor louco que a gente sente pela nossa cria, vem como uma porrada na nossa cara, apesar de eu não saber exatamente quando ele chegou.</p>
<p>De repente tudo fez sentido. A minha vida. Todos os caminhos percorridos até chegar ali, naquele momento. O amor que eu sinto pelo pai dele. Todo o medo que eu senti. Toda a dúvida se eu seria uma boa mãe.</p>
<p>E agora eu estou aqui, me vendo emocionada quando ele aprende uma coisa nova. Com saudades dele quando chega a hora de busca-lo na escola. Virando a minha carreira de cabeça pra baixo e feliz por poder trabalhar em casa e passar as manhãs com ele, fazendo “preguicinha” na cama, vendo TV e dançando todas as músicas do Discovery Kids, fazendo o almoço dele e vendo-o se deliciar ou ignorar solenemente o meu esforço.</p>
<p>Ele já tem dois anos.</p>
<p>E eu ainda o amamento e essas estão entre as melhores horas do meu dia. Nestas horas, e em tantas outras, ele me olha e sorri.</p>
<p>E aí eu entendo tudo, em um ataque de lucidez.</p>
<p>Nestes dois anos, eu estive cansada praticamente todo o tempo. Eu estou constantemente com sono. Eu adoro correr, mas sempre antes de ir ao parque ao lado de casa minha mente tenta me lembrar que eu poderia gastar essa uma hora cochilando.</p>
<p>Na maioria das vezes o parque vence.</p>
<p>Um grande momento da minha semana é quando, sábado ou domingo, meu filho sai com o pai pra brincar. E eu durmo a manhã inteira e sou acordada por ele, pulando na minha cama e chamando por mim com esse sorriso que ele tem. É o melhor jeito de acordar do mundo.</p>
<p>Minha vida como mãe não é perfeita. É muito cansaço, muita dúvida, muita culpa. Muita irritação com uma criança fazendo birra. Mas é a minha vida, o caminho que eu escolhi e não me arrependo.</p>
<p>Dizem que o amor cura tudo. E eu vou além. O amor, esse amor tão grande, tão maior que eu, me justifica.</p>
<p>Esse amor me reinventou, criou uma versão melhorada de mim mesma. Com quilos a mais, olheiras e até cabelos brancos olha só, mas alguém mais perto da pessoa que eu sempre quis ser.</p>
<p>Hoje, eu sou feliz.</p>
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		<title>A licença-maternidade chegou ao fim</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Sep 2016 18:54:03 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Zenaide Quevedo Peres Bonato, 35 anos, jornalista, mãe de uma menina de cinco meses e meio Ouvi um choro no fundo, como se fosse num sonho. Abri os olhos, olhei a hora e vi que não, não era um sonho, era a minha filha, já acordada às 5:10 da manhã, pedindo seu café da...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Zenaide Quevedo Peres Bonato, 35 anos, jornalista, mãe de uma menina de cinco meses e meio</p>
<p>Ouvi um choro no fundo, como se fosse num sonho. Abri os olhos, olhei a hora e vi que não, não era um sonho, era a minha filha, já acordada às 5:10 da manhã, pedindo seu café da manhã. Me revirei na cama, levei alguns segundos para levantar, meu marido foi na frente. Passei no banheiro e fui lá amamentar uma pessoinha tão especial de cinco meses de idade.</p>
<p>Ela mamou com vontade e força, e nesse meio tempo eu quase adormeci encostada na poltrona. Acabou uma teta, ela reclamou, então troquei ela de lado. Sentindo-se satisfeita, me olhou fundo nos olhos e esboçou um sorriso. Me senti especial. Entreguei ela para o pai trocar a fralda e fui deitar mais vinte minutos, pois a gripe estava acabando comigo.</p>
<p>Acordo minutos depois, me visto para ir trabalhar e vou até o quarto dela. Ela está lá na cama sorrindo pra mim. Sinto um aperto enorme no peito, uma vontade de ficar com ela grudadinha o dia inteiro. Lágrimas escorrem do rosto e blasfemo o quanto esse mundo é injusto, me obrigando a ficar longe da minha pequenina tão, mas tão cedo. Sim, hoje é um dia que estou mais sentimental, talvez a gripe, talvez o cansaço, talvez a falta de costume com a nova rotina, talvez o simples fato de ser mãe.</p>
<p>Meu dia começa mega cedo, mas para mim isso não é algo ruim, pelo contrário, é muito bom. Minha filha dorme entre sete e oito da noite e só acorda pelas cinco e meia/seis horas da manhã. Tem sido assim há alguns meses já – sim, ela dorme a noite toda desde os dois meses, e sei o quanto sou abençoada.</p>
<p>O fato é que desde quinta-feira passada um elemento novo está fazendo meus dias muito mais agitados, sensíveis, difíceis e emocionantes. A minha licença maternidade chegou ao fim e voltei ao trabalho. Desde sempre eu sabia que a minha menina iria para o berçário com menos de cinco meses. Deixar o trabalho não era uma opção e ter a ajuda da família também não, pois tanto a minha quanto a do meu marido moram em outro estado. Antes dela nascer, eu era dura e direta ao afirmar que sim, ela iria para o berçário com cinco meses.</p>
<p>Ah, mas como nós mães, antes de nos tornarmos mães, subestimamos nossos próprios sentimentos, achando que vamos pensar assim ou assado. Nem durante a gravidez o sentimento muda tanto quanto depois que temos um bebezinho em nossos braços. Uma chave vira, não adianta. Algumas amigas grávidas comentam coisas, e eu penso assim: deixa nascer que tua opinião mudará totalmente.</p>
<p>Em julho começamos a busca por um berçário. Como eu chorei, nossa, nenhum servia. Afinal, ninguém vai cuidar minha filha melhor do que eu, não é mesmo? Sim, isso é verdade, mas é preciso aceitar e pensar que a perfeição não existe. Decidimos que a prioridade era um berçário perto de casa, pois poderíamos levar a pequena sem precisar de carro. Encontramos, gostamos, conversamos, visitamos e aprovamos. Um lugar familiar, com ambiente aconchegante, cheiro delicioso de comida saindo da cozinha, berçaristas bem dispostas, carinhosas e bebês felizes.</p>
<p>O que posso dizer até agora é que não é fácil, mas que estou adorando retomar minhas atividades, adorando ter um pouco do meu eu, só meu de volta.  A cada dia lido melhor com a vontade de ficar o dia todo com nossa pequena e lido melhor com a correria da manhã, com a ordenha durante o trabalho e com algum sentimento de culpa que insiste em dar as caras vez e outra. Estou firme na missão de mãe, esposa, profissional, cozinheira e principalmente firme em sempre tentar encontrar outras saídas e não transformar esse momento tão mágico em algo pesado e que sugue os meus dias sem eu perceber.</p>
<p>No final de tudo sabe o que fica? Aquele sorriso maravilhoso que ela me dá, e aquele olhar de quem com cinco meses já parece querer conhecer o mundo.  Sim, eu sou muito feliz em ser mãe e muito feliz em ter ao meu lado um parceiro para todas as horas. Costumo dizer que meu marido só não tem “tetas”, porque de resto ele faz tanto quanto eu. Na nossa vida é assim, e eu tinha certeza que com a chegada da nossa não seria diferente. Acertei.</p>
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		<title>Fui mãe aos 17 anos. Hoje, tenho uma família feliz</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2016 17:20:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eu Mãe]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Sirley Arthur, 35 anos, empresária, mãe de um rapaz de 18 anos e uma menina de 12. Quando eu e meu então namorado fomos contar aos meus pais que eu estava grávida, uma coisa que o meu pai me disse me marcou pra sempre. Tanto ele quanto a minha mãe perguntaram como nós deixamos...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Sirley Arthur, 35 anos, empresária, mãe de um rapaz de 18 anos e uma menina de 12.</p>
<p>Quando eu e meu então namorado fomos contar aos meus pais que eu estava grávida, uma coisa que o meu pai me disse me marcou pra sempre. Tanto ele quanto a minha mãe perguntaram como nós deixamos isso acontecer, o que a gente ia fazer. Mas ele me disse que na vida as portas nem sempre são largas.</p>
<p>Que antes se tivesse uma frestinha eu conseguiria passar, mas a partir daquele momento eu teria que escancará-las para conseguir passar não mais sozinha, mas com o meu filho e meu companheiro. O esforço teria que ser muito maior.</p>
<p>As portas se abririam com mais dificuldade. Mas nunca seria impossível fazer isso acontecer. Como resposta ao meu pai, eu disse que eu enfrentaria o que tivesse que enfrentar e que meu filho estaria sempre comigo.</p>
<p>Eu tinha 16 anos quando eu engravidei. E o que eu pensei era que se eu não sabia cuidar nem de mim, como iria cuidar de outra pessoa?</p>
<p>Eu estava no fim do segundo colegial, naquela fase de pensar no vestibular, no que ia querer da vida, decidir uma profissão. Eu já tinha decidido que ia fazer Direito. Meu pai e minha mãe sempre fizeram tudo por mim e pelo meu irmão e minha obrigação era estudar. E eu tinha as minhas atividades físicas. A quadra de basquete era uma paixão minha. Era onde eu passava grande parte do meu tempo livre. Eu estava envolvida em todas os eventos esportivos e culturais da minha escola, um colégio de freiras.</p>
<p>Antes de começar o terceiro ano eu descobri que estava grávida. Uma adolescente acha que nunca corre riscos.</p>
<p>Conversei bastante com o meu namorado, perguntamos o que a gente ia fazer. Ele disse que ia me apoiar no que eu decidisse, e eu disse que iria ter a criança. Tirar estava fora de cogitação.</p>
<p>O filho era meu e eu ia cuidar dele.</p>
<p>Meu pai chegou a dizer pro meu namorado que se ele quisesse assumir ele assumia, mas se ele quisesse ele podia sumir também.</p>
<p>Ele não sumiu. Ele ficou comigo.</p>
<p>Ele queria casar e eu falava pra ele que eu não sabia casar.</p>
<p>Mas a gente aprendeu junto. A gente aprendeu a cuidar do nosso filho juntos.</p>
<p>Antes de completar 17 anos eu estava casando. Eu fiz aniversário em maio e em julho o meu filho nasceu. Eu estava no meio do último ano do colégio. Eu não parei de estudar, eu peguei licença maternidade, fazia os trabalhos de escola e as provas em casa. Terminou o ano, eu me formei e fui a oradora da turma. Eu fui buscar o diploma com o meu filho nos braços.</p>
<p>Entre a descoberta da gravidez e o nascimento do meu filho as reações foram as mais diferentes possíveis.</p>
<p>Foi difícil pro meu pai aceitar, ele confiava demais em mim e era como se eu tivesse o traído. Eu sempre cumpri todas as minhas responsabilidades, então ele não aceitou muito bem. Aceitou o neto, mas demorou pra aceitar a situação. E minha mãe foi uma super mãe. Toda mãe precisa de uma mãe, de alguém que cuide dela. Ela foi a minha companheira.</p>
<p>Na escola foi um choque. Quando eu cheguei pro último ano eu estava com uma aliança de noivado na mão e os professores perguntavam se eu estava grávida. Mas no fim das contas a escola aceitou bem. Alguns amigos se afastaram, os pais dos amigos, principalmente das amigas, passaram a olhar diferente.</p>
<p>Achavam que eu poderia incentivar suas filhas a fazer alguma coisa e na verdade eu não queria incentivar ninguém a nada!</p>
<p>Mas eu tinha um motivo além de mim pra ser forte.</p>
<p>Não estou fazendo apologia nenhuma a ser mãe adolescente, não acho que isso seja algo saudável. Eu pulei uma etapa da minha vida. Eu tive que amadurecer rápido demais. Eu vejo fotos do meu casamento, do nascimento do meu filho e vejo que eu era uma criança. Uma criança cuidando de outra.</p>
<p>Eu tive que crescer à força. Eu deixei de fazer muita coisa. De descobrir muita coisa. As pessoas viram adultas e curtem aquela fase de não precisar mais dar satisfação pra mãe e pro pai. Ir numa festa, numa viagem. Eu não tive nada disso.</p>
<p>Filho é uma coisa preocupante. O caminho não foi fácil, mas depois eu me perguntava que coisa era aquela, que amor daquele tamanho era aquele. Eu não sabia que podia existir uma coisa tão grandiosa. Eu poderia fazer qualquer coisa por ele.</p>
<p>Eu sonhava em fazer faculdade em outra cidade, em uma grande universidade. Mas a única chance que eu tinha era fazer uma faculdade na cidade ao lado da minha. Estudei Direito como eu queria. No começo foi muito difícil, muita cobrança.</p>
<p>A vida mudou muito. Quando você não tem filho você senta e estuda. Você pode ter horários, se dedicar àquilo. Com filho foi difícil. Eu tinha que estudar, cuidar do meu filho, amamentar, eu comecei a trabalhar um pouco em casa. Meu marido também era novo, e embora no começo a gente morasse com os meus pais, do mesmo jeito que eu não tinha planejado ele também não.</p>
<p>Eu chegava a chorar porque eu não conseguia fazer as coisas. O primeiro dia em que eu deixei meu filho na escola foi uma luta imensa. Ele ainda era bebê, ia chorando pra escola. Eu achava que poderiam estar maltratando-o, eu me sentia a pior pessoa do mundo. Como se fosse um crime que eu estava cometendo. Mas eu não tinha escolha: eu precisava trabalhar, continuar estudando. No começo eu fazia faculdade a noite e trabalhava em casa durante o dia. À noite meu marido chegava e ficava cuidando do meu filho com a minha mãe – que foi minha mãe, mãe do meu marido, mãe do meu filho. Ela me ajudou muito.</p>
<p>Depois eu passei a estudar de manhã e meu filho também ia pra escola nesse horário. Chorando, reclamando, ficando doente. Com o tempo, eu fui ficando mais em paz, entendi que era necessário. Eu não podia cria-lo numa redoma. As coisas foram ficando um pouco mais tranquilas.</p>
<p>A gente foi batalhando, foi enfrentando. Foi vencendo.</p>
<p>Era muita coisa pra ser aprendida ao mesmo tempo. Aprender a ser mãe, a ser esposa. O namoro é tão fácil, confortável. Quando você briga você passa uns dias sem se ver. Quando casa, tem que aprender a resolver. Tem que deitar e dormir junto. A gente foi aprendendo, sobrevivendo, passando por todas as crises conjugais e maternais.</p>
<p>E uma coisa que eu sempre soube era que, mesmo tendo meu primeiro filho do jeito que foi, eu queria outro bebê. Eu queria uma filha. Eu desejava um casal de filhos.</p>
<p>Se o primeiro não foi planejado, a segunda foi. Mas eu também não tinha condições. Eu queria muito, e quando eu estava no final da faculdade eu falei pro meu marido sobre as condições em que a gente estava vivendo. Ele tinha aberto uma empresa própria e a gente estava lutando pra pagar as contas.</p>
<p>- Se a gente for esperar a melhor hora, a casa quitada, carro na garagem e dinheiro na poupança, a gente não vai ter outro filho.</p>
<p>Dez dias depois eu descobri que eu estava grávida.</p>
<p>Quase seis anos depois do nascimento do meu primeiro filho, nasceu a minha caçula. Na formatura do colegial meu filho estava no meu colo. Na formatura da faculdade minha filha estava na minha barriga, quase nascendo.</p>
<p>A segunda gravidez foi planejada com o coração porque se fosse com a cabeça não seria o melhor momento. Mas a gente era um casal que estava junto há seis anos e queria ter um novo filho.</p>
<p>Os seis primeiros anos do meu filho foram também os meus anos de faculdade, meus primeiros anos de casamento e do início da nossa empresa. Foi muita coisa nova. Dificuldades financeiras. Mas a gente enfrentou tudo junto. Depois desses seis anos nós nos fortalecemos como família. Até então a gente tinha o suporte das nossas famílias, e a partir dali a gente foi se virar sozinho. Foi bom, foi uma nova etapa.</p>
<p>Então eu digo que em 2004, quando minha filha nasceu, começou um novo ciclo. Meu filho estava mais independente. A gente trabalhou muito, construímos nossa casa. Descobri que eu não queria mais ser advogada. Eu não concordava com muita coisa que eu via, aquilo não era pra mim. Fui trabalhar e trabalhei mais ainda.</p>
<p>Quando minha filha tinha uma semana eu voltei a trabalhar de casa.</p>
<p>Hoje a gente olhando parece tudo mais fácil. Meu filho tem 18 anos. E depois de tudo você olha e acha que tudo valeu a pena. Tudo teve seus sabores e dessabores. Foram anos de luta, mas de glória também.</p>
<p>Eu estou terminando a minha segunda faculdade. Estudo administração e não pretendo parar por aí. O incentivo de fazer uma segunda faculdade foi do meu filho. Ele disse que ajudaria, que ficaria com a irmã.</p>
<p>E ele ajuda mesmo. Eu não tenho do que reclamar dele.</p>
<p>Óbvio que a gente briga como mãe e filho, eu sou exigente até demais, pego no pé, mas eu sempre digo que a mordida da onça não mata o filhote. E que até quando eu estiver velha eu vou continuar cuidando deles, pegando no pé. A minha função é cuidar deles, ajudar a torna-los cidadãos. Homens e mulheres honestos, de caráter e de respeito. Eu quero que eles sejam pessoas de caráter. Que sejam queridos pelas pessoas.</p>
<p>Meu filho está na faculdade, aprendendo a trilhar os próprios caminhos. Minha filha também é muito responsável e eu só posso agradecer pelos filhos que eu tenho. Eles são o que eu tenho e fiz de melhor.</p>
<p>Meu casamento tem sido ótimo. Temos altos e baixos. Nós somos uma família. Uma família de verdade, onde todo mundo se ajuda, se critica e se ama. Todo mundo se respeita.</p>
<p>A maioria das minhas amigas que eu tinha aos 17 anos e que eu ainda mantenho o contato estão casando agora, tendo ou pensando em ter seus filhos agora. E os meus filhos estão praticamente criados. Meu filho já é um homem, já responde pelos próprios atos.</p>
<p>A gente senta pra ter uma refeição e meu filho mostra as opiniões políticas, ideológicas. Tem posições, aceita umas coisas e não aceita outras. Hoje ele trabalha com a gente. É uma força nova. A gente tem diálogo, e isso é muito gostoso.</p>
<p>Eu com 35 anos, meu marido com 40, meu filho com 18 e minha filha com 12. Cada um com uma opinião. E eles me ensinam a pensar de um jeito diferente.</p>
<p>Meu caminho foi difícil, mas também foi bom e, principalmente: não foi impossível. Com amor e dedicação a gente supera qualquer coisa.</p>
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		<title>Conquistei a guarda do meu filho, mas o deixei morar com o pai</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2016 20:06:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Joice Garcia, professora e mãe de um menino de 12 anos Por um ano lutei judicialmente pela guarda do meu filho. Tive o alívio da vitória, mas decidi que ele pode morar com o pai. Estamos conversando sobre como as coisas vão acontecer. Dia a dia estou construindo a tranquilidade para conviver com essa...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Joice Garcia, professora e mãe de um menino de 12 anos</p>
<p>Por um ano lutei judicialmente pela guarda do meu filho. Tive o alívio da vitória, mas decidi que ele pode morar com o pai. Estamos conversando sobre como as coisas vão acontecer. Dia a dia estou construindo a tranquilidade para conviver com essa decisão, mas tem sido muito difícil. Eu estou confiando na relação que construímos para que ele possa ir e para que eu fique em paz comigo mesma. Lutei muito para chegar até aqui.</p>
<p>Eu queria ser mãe, mas não naquele momento. Estava no terceiro ano da faculdade quando me casei. Três meses depois, engravidei. Não houve planejamento. Foi um susto no princípio. Eu não me via como mãe, não estava preparada para a responsabilidade. Tinha uma visão romântica e achava que ter um filho não ia interferir em nada. Quando eu engravidei, meu ex-marido ficou super feliz. Eu desconfio que ele conduziu as coisas para que eu engravidasse naquele momento. É importante dizer aqui que vivia numa relação violência e abusiva. Uma semana depois de nos casarmos, ele me jogou na cama, me estapeava e dizia que ia me educar como meu pai não havia feito.</p>
<p>Nessa época, eu tomava um remédio que poderia afetar os efeitos do anticoncepcional e ele sabia disso. Mas ignorou. O nosso relacionamento não era legal e acredito que ele temia o fim. Nós quase nunca transávamos, mas na semana que engravidei ele quis ter relações sexuais todos os dias. É uma coisa da qual não tenho certeza, mas considerando o comportamento extremamente manipulador dele, não duvido.</p>
<p>A gravidez foi muito difícil. Eu tinha as obrigações acadêmicas do penúltimo ano, faltava dinheiro e as agressões só pioravam. Tudo acontecia em ciclos. Tinha a fase dos carinhos, das flores, das agressões verbais, da manipulação, da culpabilização e, por fim, as agressões físicas como punição. Ele dizia que não ia me espancar pois isso deixava marcas e ele tinha que evitar.</p>
<p>Quando eu estava no sétimo mês de gravidez, ele empurrou e eu bati as costas na parede e caí. Ali eu pensei que ele teria machucado o bebê, além de mim. Meu filho nasceu com uma cicatriz na cabeça. Não uma marca de nascença. Uma cicatriz. E mesmo que não tenha sido esse episódio, até hoje olho para a marca na cabeça do meu menino e penso em tudo que sofremos. Em silêncio.</p>
<p>Eu nunca tinha contado nada a ninguém. Por medo, por vergonha, por culpa. Eu achava que a culpa era minha.</p>
<p>Quando meu filho nasceu, passou tanta coisa pela minha cabeça. Eu só pensava se iria dar conta sozinha. Até amamentar era um desafio pra mim. Não havia espaço e tranquilidade para ser mãe, mas eu acreditava que o nosso filho faria o pai mudar. Mas piorou.</p>
<p>Ele me agredia psicologicamente, cobrando de mim uma postura de &#8220;mãe perfeita&#8221;. Eu fazia tudo sozinha: cuidava do nosso filho, da casa e escrevia meu projeto de conclusão de curso. Sempre chorando. Me sentia rejeitada, feia, incapaz. Não me reconhecia nem na função de esposa nem na de mãe. Pra mim, elas eram uma coisa só. Achava que tinha que dar conta das duas e fazer tudo com excelência. Sempre achava que estava errando na louça que não lavava, quando “perdia” a hora de trocar fralda porque estava estudando.</p>
<p>Na época morávamos numa cidade e eu fazia faculdade em outra. Deixava meu filho com meus pais e ia estudar. Esse era meu momento de tranquilidade. Ele estava seguro. E eu também.<br />
Lembro que um dia, pouco antes de sair, apanhei. Quando cheguei onde estudava, contei para uma amiga. Foi a primeira vez que falei das violências que sofria. Tinha medo dos julgamentos. Eu queria apoio, colo. Queria que me dissessem que eu não tinha culpa. Tirei 200 kg das costas e então comecei a mudar.</p>
<p>Passei a observar mais as atitudes dele como vítima e não como culpada. Quando a Lei Maria da Penha entrou em vigência, ele parou de me agredir fisicamente. Demorou alguns anos ainda. Comecei a trabalhar. Me apeguei à minha profissão e ao meu filho, que já estava com oito anos. Eu sabia que um dia poderia ser uma pessoa de novo. Então, eu pedi o divórcio. Inconformado com isso, ele levou quatro meses para sair de casa. Eu tinha pressa em me libertar e brigávamos todos os dias. Ele aceitou o fim, mas contou ao nosso filho que íamos nos separar porque eu nunca o perdoei e nunca superei a violência.</p>
<p>Eu fiquei possessa com aquilo. Não queria que meu filho soubesse. Mas, aos oito anos, ele me defendeu. Chorou muito. Disse que o pai nunca respeitou a mim ou a vida dele, nem mesmo quando ele estava na barriga. E passou a questionar meu silêncio. E foi nesse momento que a alienação parental começou. Ele sabia que, em algum momento, eu ia contar e se antecipou.</p>
<p>Mas quando eu me separei, me sentia capaz de tudo. Estava feliz, radiante em cuidar do meu filho, em pensar na minha carreira, em me divertir com os amigos. Meus pais me ajudaram e compraram minha casa para dar a metade ao ex-marido e me libertar de vez. Passamos a morar todos juntos e eles me apoiavam na educação do meu filho.</p>
<p>Mas tudo mudou quando decidi me casar novamente e mudar de estado.</p>
<p>A partir daí, ele começou a dizer ao nosso filho que eles deveriam morar juntos. O convenceu disso e pediu para ele não me contar esses planos. E entrou com um processo de alienação parental com modificação de guarda. Foi horrível. Ele chegou a entrar com uma liminar me impedindo de levar nosso filho comigo alegando que eu o tinha tirado da escola antes do fim do período letivo. O juiz entendeu que eu estava realmente fugindo com a criança. O que mais me desgastava eram as mentiras e as ofensas que afetavam a minha relação com meu filho. Chegaram a questionar a violência que eu sofria. Minha vida tinha parado de novo. Respirei fundo e mudei de estado. Deixei meu filho com meus pais, por quatro meses. Ele estava seguro. E fui construir uma base para quando ele voltasse.</p>
<p>Ao fim de um ano, venci o processo.</p>
<p>Então, nas últimas férias, meu filho voltou da casa do pai muito diferente de como ele foi. Disse que queria morar com ele, mas sem processo.</p>
<p>Eu concordei.</p>
<p>Ele vai por um período de seis meses, como uma experiência. Choro todos os dias. Mas está na hora de deixar meu filho crescer e perceber as coisas por si só. Ele me defende diante do pai e da família paterna mas eles oferecem uma vida que é muito distante do que ofereço: cinema, diversão e sorvete todos os dias, por exemplo. Eu fiquei com a tarefa de sustentar e educar. Falta tempo para cinema e diversão.</p>
<p>Além disso, ele tem 12 anos de idade. A decisão dele conta no processo. Não preciso daquilo de novo. Eu sei que vou ser julgada e apedrejada por deixar ele ir. Mas foi um longo caminho. Meu filho tem uma relação com o pai. É direito deles viverem isso. Eu sei que ele vai ser bem cuidado e amado. Mas eu choro todos os dias com medo da alienação nos afastar. Eu e meu menino passamos por tantas coisas juntos.</p>
<p>Hoje, olho para aquela menina que eu era quando engravidou e, se pudesse, diria a ela que nada daquilo precisava ter acontecido. Que ela é forte. E diria para a mulher que enfrentou aquele processo que vai ficar tudo bem. É o que tenho me dito todos os dias: está tudo bem. Me pergunto em que momento eu mudei. Não sei. A vida exigiu que eu me resgatasse. Que eu me salvasse. Em algum momento, passei a sentir um amor imenso por mim e isso mudou tudo.</p>
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		<title>Eu preciso lutar pelos direitos da minha filha</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2016 16:37:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Sílvia Alves, 26 anos, bailarina, pesquisadora de danças negras, turbantista e produtora cultural, mãe de uma menina de um ano. Um povo que não conhece a sua própria História não tem auto-estima. E o que eu quero e devo fazer pela minha filha é ajudar a construir a dela. Eu quero que ela cresça...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento &#8220;Eu,mãe&#8221;: Sílvia Alves, 26 anos, bailarina, pesquisadora de danças negras, turbantista e produtora cultural, mãe de uma menina de um ano.</p>
<p>Um povo que não conhece a sua própria História não tem auto-estima. E o que eu quero e devo fazer pela minha filha é ajudar a construir a dela. Eu quero que ela cresça sabendo que o cabelo crespo dela é lindo. Quero contar pra ela histórias sobre os negros que não são contadas.</p>
<p>A minha filha vai precisar se preparar para viver em um sistema que ainda é racista. E ela precisa das ferramentas para lutar contra isso: conhecimento e postura.</p>
<p>E eu sempre vou ser o exemplo dela.</p>
<p>A minha gravidez não foi planejada. Eu sou bailarina e trabalho também como pesquisadora de danças negras – além de ser produtora cultural, turbantista e, claro, mãe! Eu conheci o pai da minha filha quando estava fazendo um trabalho de pesquisa de danças de Moçambique. Ele é de lá e durante os três meses em que eu trabalhei com ele, eu engravidei. Porém nunca tivemos avanços em nossa relação.</p>
<p>A minha gravidez foi muito agitada e eu dancei até uma semana antes da minha menina nascer. Eu me prepararei para um parto natural, com parteira e doula. Mas a situação emocional pesou, eu perdi muito líquido e tive que ser submetida a uma cesárea de emergência. Foi uma experiência bem traumática pois o parto natural era muito importante para mim. Depois que minha filha nasceu, eu tive depressão pós-parto.</p>
<p>Houve momentos nessa história em que eu perdi a mim mesma. Eu acho que a perda de si mesma é algo que acontece com muitas mulheres quando passam por problemas e se deixam levar por pensamentos opressores e machistas que permeiam a sociedade em que vivemos, ainda mais quando nós somos mães solo.</p>
<p>Porém nós não precisamos acreditar nas histórias contadas. Nós podemos fazer a nossa própria história com altivez e sabedoria. Não precisamos entregar nossos valores assim tão fácil, calar nossa voz, desligar nosso canto. Não podemos permitir que nossa vida criativa se perca, as boas notícias consistem em podermos reviver nossas vidas.</p>
<p>E a mensagem positiva disso tudo é que eu me fortaleci. Saí de uma situação que estava acabando comigo. Voltei a ser eu mesma. Eu me reencontrei por causa da minha filha.</p>
<p>Lutar pela minha filha significa também se ater as questões raciais. Nós duas vivemos em um país onde o racismo é estrutural e velado. São olhares, maneiras como as pessoas nos tratam.</p>
<p>Somente agora eu começo a ver uma mudança na questão da estética negra. Eu passei a minha adolescência inteira alisando o cabelo. Temos um grupo de mulheres negras onde muitas delas têm cicatrizes no rosto por passarem ferro quente no cabelo.</p>
<p>Um dia, eu estava com a minha filha em uma farmácia e uma mulher nos olhou com cara de nojo, vendo os nossos cabelos, crespos. Iguais.</p>
<p>Lindos.</p>
<p>Em outro dia, eu estava com a minha filha no sling em um ponto, esperando um ônibus. De repente, uma mulher me abordou cheia de moedas na mão. Assustada, eu perguntei o que era aquilo.</p>
<p>“Isso é pra você comprar alguma coisa para a sua filha”.</p>
<p>Foi humilhante. E o que mais doeu foi a certeza que ela tinha de que estava fazendo a coisa certa.</p>
<p>Quando eu disse que não precisava daquele dinheiro, ela insistiu, incrédula. Quando eu recusei novamente, ela saiu de perto.</p>
<p>No dia seguinte, aconteceu de novo.</p>
<p>Eu também estava em um ponto de ônibus com a minha filha. Aqui em Natal a gente entra pela porta da frente, mas não existem bancos antes da catraca. Então, como a minha filha está sempre no sling, eu peço para entrar pela porta de trás, pago a passagem e giro a catraca.</p>
<p>Naquele dia não foi tão simples assim.</p>
<p>Quando o ônibus chegou e eu fiz o pedido habitual, mas o motorista gritou que haviam câmeras e ele não podia fazer aquilo. Por alguns instantes eu não entendi nada. Uma mulher disse que eu estava com uma criança. Nada aconteceu. Na verdade, só aconteceu quando outra disse:</p>
<p>- Motorista, ela vai pagar.</p>
<p>E a porta de trás do ônibus se abriu.</p>
<p>Isso é preconceito racial por conta da minha aparência. Ou se eu fosse branca essas duas situações teriam acontecido? É claro que não. O racismo cotidiano precisa ser desconstruído.</p>
<p>Mesmo diante desse episódio, o meu dia não foi perdido. Eu já estava dentro do ônibus, com vergonha e triste, quando um fotógrafo entrou. Depois de algum ensaio, ele me abordou. Explicou que tira fotos de pessoas com estéticas diferentes e que estudou a questão do empoderamento negro.</p>
<p>E pediu para tirar fotos minhas e da minha filha. E eu aceitei. Naquele dia, e em tantos outros dias, eu estava com uma roupa colorida. A roupa mostra quem a gente é e eu faço questão de enaltecer a cultura negra através dela.</p>
<p>A minha filha está com um pouco mais de um ano. Está começando a andar, mas já adora dançar. Eu quero aproveitar cada segundo do crescimento dela. Ela me acompanha onde eu vou e eu quero que ela cresça sabendo quem ela é, conhecendo a sua história.</p>
<p>Eu acredito muito em sonhos. E há uns tempos atrás eu sonhei que eu virava uma leoa para proteger a minha filha. Eu preciso lutar por ela, pelos direitos dela. Eu sei que muitas mulheres passam por isso, mas eu também sei que poucas têm essa força.</p>
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		<title>Eu sei que eu posso chegar muito além</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Aug 2016 14:28:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Depoimento Eu,mãe: Ana Emília Jenkins, 31 anos, gerente de marketing digital, mãe de um bebê de dez meses Em um mês acaba a minha licença maternidade. Vou voltar a trabalhar, voltar a pensar na minha carreira que sempre foi tão importante pra mim. Vou tentar conseguir um novo emprego, ao menos um degrau acima de onde...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Depoimento Eu,mãe: Ana Emília Jenkins, 31 anos, gerente de marketing digital, mãe de um bebê de dez meses</p>
<p>Em um mês acaba a minha licença maternidade. Vou voltar a trabalhar, voltar a pensar na minha carreira que sempre foi tão importante pra mim. Vou tentar conseguir um novo emprego, ao menos um degrau acima de onde eu estou hoje e que valorize meus estudos na área de administração e marketing.</p>
<p>Eu sei que eu posso chegar muito além.</p>
<p>Tudo isso significaria mais desafios. E mais tempo. E isso me atordoa só de pensar em trabalhar até mais tarde com o meu filho em casa me esperando. Ao mesmo tempo que eu gosto da minha carreira eu não pensaria duas vezes eu ficar com o meu filho se eu tivesse essa oportunidade.</p>
<p>Eu me mudei pra Inglaterra em 2004. Eu tinha 19 anos e uma vontade absurda de estudar. Não deu certo no Brasil: eu passei na faculdade que eu queria mas não tive dinheiro pra fazer.</p>
<p>Como eu conhecia pessoas que viviam em Londres, resolvi arriscar e viajar pra cá. A ideia inicial era estudar e trabalhar durante um ano. Meus pais não poderiam me ajudar financeiramente, então eu precisava me manter e conseguir um diploma de inglês intermediário. Mas acabei conseguindo um de inglês avançado e, depois de trabalhar em pubs e no McDonalds eu consegui um trabalho bem melhor em um restaurante.</p>
<p>Então, no final de um ano, eu pensei que se eu teria que ralar quando eu voltasse para o Brasil eu poderia continuar ralando em Londres. E na viagem que deveria ser a de volta definitiva acabou se transformando em uma viagem de férias.</p>
<p>E quando estava trabalhando no restaurante eu me dei conta que eu poderia conseguir algo ainda melhor. Por que não? Eu continuava estudando e foi assim que depois de algum tempo eu consegui um emprego como secretária em um consulado. Consegui um visto de trabalho – até então era um visto de estudante.</p>
<p>Quando eu estava trabalhando no consulado eu conheci o meu futuro marido. Ele é inglês e pediu a minha mão em casamento na primeira viagem que fizemos juntos para o Brasil.</p>
<p>Meu casamento foi lindo. Foi no quintal da casa dos meus sogros e minha mãe, minha irmã e uma prima estavam aqui. E daquele dia em diante todo mundo começou a perguntar quando viriam os filhos. Eu queria, mas não desesperadamente. O que eu queria mesmo era estudar.</p>
<p>Então pouco depois de casar, quando eu já tinha residência permanente – o que faz com que o preço diminua, eu entrei na faculdade.</p>
<p>Mas era à distância. É um conceito novo no Brasil, mas existe há mais de 30 anos na Inglaterra. Eu escolhi a área de administração. Era flexível mas bem trabalhoso. Eles colocam como média que você estude por 18 horas por semana, mas já cheguei a estudar 80 horas.</p>
<p>Foram sete anos estudando e trabalhando. Neste período eu mudei de emprego mais uma vez, para uma grande empresa multinacional. Eu entrei como assistente executiva e, por conta do que eu aprendi na faculdade eu mudei de área e agora trabalho como gerente de marketing digital.</p>
<p>Quando eu comecei a estudar um dos motivos para escolher fazer isso à distância foi porque se caso eu engravidasse eu poderia parar de estudar e voltar depois, mas percebi que quem para não volta. É difícil. Eu sabia que parar pra ter um filho poderia botar tudo a perder. E outra: eu vivia em um universo de muito stress. A minha vida social sofreu nessa época. Fiquei três anos sem ir pro Brasil.</p>
<p>Cheguei a ficar até quatro noites sem dormir batendo a cabeça na parede às três horas da manhã porque eu tinha que trabalhar no dia seguinte e ainda não tinha terminado o trabalho que eu tinha que entregar ontem.</p>
<p>Eu sempre tive uma visão romântica da gravidez. Eu queria ficar grávida quando eu estivesse bem em relação a minha carreira e em um momento não muito maluco. Eu queria poder planejar, curtir. É claro que não existe uma época perfeita na vida, mas estudando e trabalhando e dando tudo de mim na carreira não dava. Eu trabalhei bastante pela minha carreira e virei referência na minha empresa. Não tinha espaço pra uma gravidez.</p>
<p>Quando eu terminei a faculdade, era hora de olhar pra minha carreira. Eu me vi em um nível muito acima do que eu era paga na minha empresa. Então eu comecei a fazer entrevistas em outros lugares e recebia muitas propostas. Falei na minha empresa que ou eu recebia uma promoção ou eu ia embora.</p>
<p>Só que foi aí que eu descobri que eu estava grávida. Dois dias depois da minha formatura.</p>
<p>Como eu poderia começar um novo trabalho? Tudo aquilo que eu trabalhei por sete anos – esperar pra ter uma gravidez tranquila – seria substituída por uma rotina louca em que todo mundo esperaria muito de mim. Não era isso que eu quis a minha vida inteira.</p>
<p>Eu tentei engravidar por oito meses antes de conseguir. Eu comecei a tentar no meio do último ano de faculdade. Eu sabia que não seria fácil porque eu tenho ovário policístico. Quando a faculdade acabou eu fiz um tratamento, e ao mesmo tempo eu comecei a procurar emprego. O tratamento deu tão certo que dois meses depois do início veio o resultado.</p>
<p>Eu fiquei muito feliz. Não era a época certa no trabalho, mas ao mesmo tempo eu sei que se eu tivesse esperado talvez eu nunca tivesse ficado grávida, e se eu tivesse, seria outro bebê. Não seria o meu bebê!</p>
<p>Eu fiquei grávida na hora certa.</p>
<p>Os únicos pontos de stress na gravidez foram relacionados ao meu trabalho. Mas eu respirava fundo e falava &#8211; quer saber? Não vou me estressar, e estressar o bebê que não tem nada a ver com isso. Os primeiros três meses foram complicados, claro, quando eu ia trabalhar e fazia entrevistas de emprego desejando intensamente estar em nenhum outro lugar além da minha casa, de joelhos, abraçando o vaso sanitário.</p>
<p>Foi uma surpresa saber que era um menino. No mesmo dia pensamos no nome dele, apesar de demorar mais vários meses pra decidir que seria esse. Quando eu estava grávida de cinco meses nós fomos ao Brasil e foi aí que aconteceu uma coisa maravilhosa: meus pais, que se divorciaram quando eu era pequena e não se falavam direito, voltaram a se falar por conta do neto em comum que estava por vir. Isso foi muito especial pra mim.</p>
<p>Eu nunca tive muito contato com bebês e tinha medo de não dar conta. Mesmo assim, decidi que meu bebê nasceria em Londres e que não haveria ninguém da minha família por perto, apesar da minha mãe e da minha irmã terem se oferecido para vir pra cá. Eu precisava confiar em mim mesma, acreditar que eu seria capaz.</p>
<p>Eu não me arrependendo disso, apesar de ter sentido muita falta da minha família, mas me arrependo por achar que eu e meu marido daríamos conta!</p>
<p>Meu trabalho de parto durou 24 horas. E, ao contrário do que acontece no Brasil, que a mulher é internada assim que as contrações começam, eu fui mandada de volta pra casa três vezes! No final, os batimentos do bebê estavam diminuindo e eu tive que fazer uma episiotomia. Mas meu filho nasceu ótimo, deu tudo certo.</p>
<p>Os pais e o irmão do meu marido foram visitar a gente no hospital e quando eles foram embora ele decidiu ir junto pra aproveitar a carona.</p>
<p>E assim minha primeira noite como mãe foi completamente sozinha. Por aqui o bebê fica o tempo todo com a mãe. Por causa do meu corte eu precisava tomar banho quatro vezes ao dia, e como eu ia fazer isso e deixar meu bebê sozinho? Quando meu bebê fez o primeiro cocô eu pedi ajuda pra enfermeira e ela me disse o que usar para limpá-lo.</p>
<p>- Eu não quero conselho, eu quero ajuda!</p>
<p>Não adiantou. Eu tive que me virar sozinha. Eu não dormi já na minha primeira noite como mãe.</p>
<p>Eu achava que meu marido seria como o meu pai foi. Meu pai acordava à noite, cuidava de mim e só me entregava pra minha mãe pra eu mamar. E como meu marido sempre foi participativo e muito bom com crianças, eu achei que ele seria como meu pai foi.</p>
<p>Naquela noite e eu pedi que ele dormisse e arrumasse a casa, já que ele não ficaria comigo no hospital. Mas ele não dormiu e não arrumou a casa porque ele postou a foto do bebê no Facebook e adorou a repercussão. Ficou tão animado que não dormiu e só foi descansar de manhã.</p>
<p>Ao mesmo tempo eu me decepcionei com a forma com que o mundo virou de ponta cabeça. Eu não lidei bem com isso. E eu e meu marido começamos a ter desavenças que nós não tivemos antes de ele nascer. Coisas bobas. Eu achei que nós conseguiríamos lidar com o bebê melhor do que nós lidamos. Eu tinha muita insegurança, e o fato de que não ter ninguém para perguntar as coisas, foi meio complicado. O que me ajudou foi um grupo no Whatsapp com várias primas que me ajudavam. Era uma forma da família estar próxima.</p>
<p>E daí eu me senti sozinha, num país diferente, sem minha família, à mercê do meu marido. Ele queria muito que as pessoas viessem nos visitar e eu não gosto de pessoas em volta do bebê recém-nascido. Eu queria aquele momento pra mim e pro meu filho. Eu queria dormir, queria conhece-lo. Além de cuidar do bebê que queria mamar toda hora, eu tinha que receber visita, fazer chá. Eu achava isso muito desgastante,</p>
<p>Mas meu marido, ao mesmo tempo que demorou um pouco para se conectar, me ajudou muito para que eu pudesse cuidar do bebê. Ele cuidava da casa, levava comida pra mim. Hoje ele entende o erro que foi me deixar sozinha na maternidade. E quando passaram as seis primeiras semanas a gente voltou a ser marido e mulher, a nossa relação melhorou muito. O bebê começou a sorrir, a interagir com o pai. Antes ele não sentia aquela conexão que eu sempre senti.</p>
<p>Quando meu filho estava com quatro meses, nós fomos pro Brasil. Passamos quatro meses na casa da minha mãe. Foi divertido e um alívio ter minha família por perto, mas meu marido não fala português e apesar de não admitir, acho que se sentia um peixe fora d’água. Ele ficou pra baixo algumas vezes.</p>
<p>Aqui na Inglaterra as coisas são bem diferentes. A criança nasce e parece que a mãe já quer retomar a vida que tinha antes o mais rápido possível. Não que não ame, mas é muito estranho. Elas dão leite artificial rápido, cedem na primeira dor ao amamentar. No Reino Unido a maioria das mulheres param de amamentar antes de seis semanas. Até hoje as pessoas não acreditam que meu bebê de dez meses ainda é amamentado.</p>
<p>Meu marido é formado em geografia mas trabalhou por anos em instituições financeiras. Mas desde a crise de 2008 as coisas foram ficando mais difíceis, e depois de um tempo desempregado ele começou a cuidar do nosso jardim e acabou virando jardineiro. Ele cuida dos jardins da vizinhança toda.</p>
<p>E é por isso que daqui a um mês, quando eu voltar a trabalhar, ele vai ficar com o nosso bebê.</p>
<p>Meu filho teve sorte de ficar com o pai e a mãe durante todo o primeiro ano de vida. E ao mesmo tempo que eu quero voltar a trabalhar, eu fico triste em pensar que vou ficar longe do meu filho.</p>
<p>Eu sinto que a minha empresa acha que eu “vacilei” por ter engravidado. Mas lá existe uma boa política de flexibilidade. Quando eu voltar, no começo eu só vou precisar ir ao escritório duas vezes por semana e vou fazer home office nos outros dias.</p>
<p>Por sete anos a minha vida foi carreira e estudo, mas agora existe algo muito maior e muito mais importante: a minha família.</p>
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		<title>Depois de tudo, a gente nem lembra o que é ter um filho prematuro</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2016 18:56:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Eu,mãe: Cecília Torres, 36 anos, designer e mãe de um menino de dois anos Sempre desejei ser mãe, desde os 20 anos. Adiei o quanto pude. Quando decidi “liberar”, aos 30, tentei por um ano sem sucesso. Como tenho ovários policísticos, o tratamento foi usar anticoncepcional por um tempo até “secar” os ovários. A notícia de...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eu,mãe: Cecília Torres, 36 anos, designer e mãe de um menino de dois anos</p>
<p>Sempre desejei ser mãe, desde os 20 anos. Adiei o quanto pude. Quando decidi “liberar”, aos 30, tentei por um ano sem sucesso. Como tenho ovários policísticos, o tratamento foi usar anticoncepcional por um tempo até “secar” os ovários.</p>
<p>A notícia de uma gravidez é sempre uma alegria, ainda mais quando é um filho muito desejado. Comigo foi assim: não dei muita bola pro atraso de alguns dias na menstruação. Apesar de estar com o ciclo regular há cinco meses, como já havia tentado engravidar por um ano, achei que fosse apenas um atraso. Viajei nessa semana, bebi, achei que aquele sono incontrolável era apenas fruto do frio de rachar que estava fazendo naquele julho de 2013, em São Paulo.</p>
<p>Uma semana depois, a notícia: estava muito grávida de cinco semanas!</p>
<p>A gravidez transcorreu tranquila até demais, nunca tive um enjoo sequer. Tudo corria perfeito e logo teria o fim que eu desejava: um lindo parto natural hospitalar. Às 33 semanas, eu já tinha meu plano de parto e vinha conversando com a doula há algumas semanas. Tudo ia sair dentro do desejado.</p>
<p>Até que tive o grande tombo: edemas generalizados no rosto e corpo e um pico hipertensivo. Quatro dias depois, eu tinha o resultado de exames laboratoriais em mãos e o diagnóstico: pré-eclâmpsia grave e síndrome HELLP. Precisaria interromper minha gravidez imediatamente.</p>
<p>O crescimento de um bebê, ou seja, um ser geneticamente diferente da mãe, e a presença de um corpo estranho (a placenta) causam uma resposta imunológica do corpo da mãe como forma de proteger o feto. Em alguns casos, esse mecanismo provoca uma liberação de proteínas na circulação sanguínea, provocando essa resposta imunológica, agredindo as paredes dos vasos, causando vasoconstrição e elevação da pressão arterial.</p>
<p>A pré-eclâmpsia é uma doença hipertensiva específica da gravidez, caracterizada por edema, pressão alta e presença de proteína na urina. Se não tratada, pode evoluir para a eclâmpsia e causar a morte da mãe e do bebê. Independente da gravidade dos sintomas, a pré-eclâmpsia sempre é um risco potencial para mãe e bebê e a solução, em geral, é a interrupção da gravidez.</p>
<p>A Síndrome HELLP (uma sigla em inglês que significa hemólise, elevação das enzimas do fígado e baixa contagem de plaquetas) é uma rara e severa variante da pré-eclâmpsia que requer a imediata interrupção da gravidez, já que evolui muito rapidamente. Interrompida a gravidez, ou seja, retirado o &#8220;corpo estranho&#8221;, tudo que foi alterado no corpo da mulher vai voltando ao normal em questão de dias.</p>
<p>Meus exames laboratoriais estavam extremamente alterados, eu sentia muita dor na altura do estômago e uma dor excruciante na altura da costela direita (alô, fígado, eu nem sabia que você podia doer!). Senti dor de cabeça, náusea e tive alterações visuais. Só deu tempo de processar a ideia de ter a gravidez interrompida com quase 34 semanas e a incerteza de sobrevivência minha e do bebê.</p>
<p>No dia seguinte, dia 11 de fevereiro de 2014, ao meio dia, meu filho veio ao mundo com 1.680g e 41cm. Um bebê minúsculo e enrugado, que chorou muito e veio pra perto de mim embrulhado num plástico pra não ter hipotermia. Seguimos rapidamente os dois para a UTI, ele para a incubadora e eu para monitoramento de pressão e das transaminases, além da continuidade do sulfato de magnésio na veia, o anti-convulsivo indicado para evitar eclâmpsia.</p>
<p>A única coisa que eu conseguia sentir nos quase três dias de UTI foi medo. Medo de não conseguir sobreviver, medo de meu bebê não estar bem, medo até de dormir, coisa que não consegui por dois dias.</p>
<p>É um medo tão aterrorizador que você apela a todos os deuses possíveis pra que te tirem daquela situação. No entanto, nunca tive tanta fé na vida. Nunca fui uma pessoa religiosa, mas acreditei de verdade, com toda certeza que tinha no mundo, que ia sair bem dali.</p>
<p>Uma UTI não é um lugar bacana. Eu nunca havia visitado ninguém numa UTI, então imaginava que, como local de tratamento intensivo, seria um ambiente calmo, reservado, silencioso.</p>
<p>Nenhuma das alternativas anteriores.</p>
<p>É tenso, devassado e barulhento. Pacientes com toda sorte de enfermidades graves, todos juntos num mesmo vão dividido por leitos de portas abertas. Meu leito era dividido com um paciente que teve uma trombose na perna. Apesar de estar separada dele por uma cortina, sabia de tudo que tinha acontecido com ele e nunca vi sequer seu rosto.</p>
<p>Falta um pouco de humanidade, acho.</p>
<p>Fiquei lá por quase três dias. Como as enzimas do fígado ainda estavam baixando, mas ainda estavam altas o suficiente para oferecer risco (meu fígado era, basicamente, uma GELEIA), permaneci internada num quarto. Fiquei internada 11 dias no total e meu bebê por 18 dias. Por conta do corticoide que tomei dois dias antes dele nascer, ele nunca precisou ser entubado nem de reforço de oxigênio na incubadora. Permaneceu na UTI para o banho de luz nos primeiros dias, por conta da icterícia, e basicamente pra ganhar peso.</p>
<p>Quando fui transferida da UTI pro quarto, eu ficava no mesmo andar da UTI neonatal. Mesmo estando longe dele, me confortava saber que estávamos pelo menos no mesmo andar.</p>
<p>Quando recebi alta, fiquei feliz por mim. Mas foi muito triste ir pra casa sem ele. Ao mesmo tempo eu precisava deitar na minha cama e abraçar meus gatos. Foram 11 dias não-dormindo em cama de hospital, me recuperando de uma cirurgia necessária porém totalmente não desejada. Eu precisava cuidar do meu juízo porque agora tinha um pequeno pedacinho de gente dependente de mim.</p>
<p>Na semana que se seguiu à minha alta, eu passava o dia no hospital tentando tirar leite (tarefa hercúlea e infrutífera). Alguns dias depois, meu filho já estava com quase 36 semanas e já poderia vir para o meu peito, aprender a mamar.</p>
<p>Sempre achei que mamar fosse um ato instintivo, que toda criança nasce sabendo. Aparentemente não. O peito não é a única interface do mundo que não precisa de aprendizado. Muitos bebês têm a pega errada e isso acaba causado o pior dos desconfortos na mãe que amamenta: as rachaduras nos seios.</p>
<p>No sábado de carnaval, dia 1 de março, recebemos a grande notícia: a alta da UTI neo. Meu menino seguiu pra um apartamento na maternidade. Ficamos eu, ele e o pai morando nesse quarto de hospital por oito dias, vivendo na prática o que é ter um bebê recém nascido acordando de hora em hora chorando, com fome.</p>
<p>Depois de passado tudo isso, a gente nem lembra o que é ter um filho prematuro, o que é ficar em UTI, o que é achar que vai morrer.</p>
<p>Depois que seu filho cresce saudável e começa a dar tanto trabalho com dois anos de idade, nem passa pela sua cabeça o sufoco que foi seu nascimento e primeiros 28 dias.</p>
<p>Mas&#8230; se eu penso em ter outro filho? No momento, não. Eu sei que essa deve ser a resposta comum para uma mulher que passou por um trauma tão grande numa gestação, mas vamos para a realidade: a probabilidade de ter tudo novamente é alta, cerca de 19 a 27% em cada gestação.</p>
<p>Não há prevenção específica para pré-eclâmpsia e HELLP, já que são doenças ainda sem explicação na medicina. A única prevenção é um pré-natal criterioso, estar atenta a qualquer sintoma anormal na gravidez e a cura é a identificação precoce da doença e a interrupção da gravidez.</p>
<p>Ou seja: uma próxima gestação precisa ser mais do que planejada. Ela precisa ser MUITO desejada, sabendo dos riscos que irei correr. É difícil decidir por uma gestação de alto risco desde a sua concepção. Então, se eu quero ter outro filho é uma questão bem distinta de “eu quero encarar uma gravidez de risco?&#8221;</p>
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		<title>A maternidade me salvou. De mim.</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jul 2016 18:16:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Eu,mãe: Fabrina Martinez, 37 anos, diretora de conteúdo e mãe de uma menina de 9 anos Lembro que quando saí do banheiro e passei pelo corredor do jornal, eu não suportava mais. Já tinha passado pelo oitavo mês e há muito tempo estava na eternidade, à espera do parto. Era o dia 30 de maio de...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eu,mãe: Fabrina Martinez, 37 anos, diretora de conteúdo e mãe de uma menina de 9 anos</p>
<p>Lembro que quando saí do banheiro e passei pelo corredor do jornal, eu não suportava mais. Já tinha passado pelo oitavo mês e há muito tempo estava na eternidade, à espera do parto. Era o dia 30 de maio de 2007, há exatamente nove anos atrás. A barriga era enorme e aquela dor era nova. Liguei para minha obstetra e ela me disse o que, naquela época, foi difícil repetir em voz alta. Eu estava em trabalho de parto. Fui no consultório dela e, na recepção, me tornei o centro da atenção de todas as gestantes.</p>
<p>Um centímetro de dilatação. Ela me pediu para ir para casa e esperar. Voltei para a redação, reuni todos os meus amigos e colegas de trabalho, passei os trabalhos e fui para casa. No dia seguinte, minha filha nasceu. Quando fui para a maternidade, o sol da manhã estava forte. Mas aquele inverno foi muito frio.</p>
<p>Amanhã minha filha completa nove anos. Isso faz com que eu esteja às voltas da maternidade há pouco mais de uma década. Toda minha gravidez foi cercada de medo e dúvida. Nunca carreguei o estereótipo da mulher maternal. Nunca me vi mãe, nunca tive essa vontade. Mas um dia, engravidar me pareceu coerente. A vida era aquilo, não era? Nascer, crescer, casar, ter um filho, pagar um financiamento da casa própria, envelhecer e morrer? Eu achava que era. E achava que estava no ponto de ter o filho. Mas as coisas saíram tortas. Como qualquer história, como qualquer maternidade. Os nove meses de espera dariam uma boa história mas a minha morte e vida são melhores.</p>
<p>Quando saímos do hospital, eu estava em qualquer outro lugar, menos ali, com ela. Eu tinha pessoas perto e isso amenizava o fato de que eu não tinha a menor ideia do que fazer. Então as pessoas se foram e começaram os quatro meses mais estranhos que vivi até hoje. Éramos eu e ela, sozinhas, todos os dias. O dia todo. A rotina era sempre a mesma. Tão igual e automática que consigo condensar todas elas numa única cena. Lembro do silêncio em que vivíamos. Só cortado pelo choro de fome ou de cólica. Ela nunca dormia. Nunca. Nem de dia, nem de noite. O pediatra disse que era normal. Eu sentia sono. Um sono tão profundo que ele me atravessava. Lembro de um dia, em que a exaustão era tão grande que eu fiquei ali, parada. Ela começou a chorar e eu, em silêncio, me perguntava o motivo de ter tido uma filha se não era capaz de cuidar dela. Na televisão, um episódio de CSI Miami sobre uma mãe exausta que mata a família.</p>
<p>Precisamos falar sobre isso?</p>
<p>Eu questionava aquele começo em que as exigências são tão poderosas. Não tenho pudores em falar das dificuldades da maternidade. Isso me dá a liberdade de dizer que a maternidade me salvou. De mim. Eu não sou a mãe que eu me forcei a ser e que, por tanto tempo, fez de mim uma mulher infeliz e frustrada.</p>
<p>Nunca tive paciência com as coisas que me pareciam ser de crianças. Coisas simples como conversar, sentar no chão e brincar com jogos me pareciam distantes. Eu estava certa. Mas (sempre tem um mas) tenho paciência, vontade e paixão para me sentar ao lado dela na cama e ler. Foi assim que, em pouco mais de um ano, lemos todos os livros de Harry Potter. Agora estamos no décimo volume de Desventuras em Série. Nossos planos incluem terminar o 13º volume antes que a série estreie na Netflix. Mas confesso que estamos lentas nesse ponto.</p>
<p>Eu sou uma mãe de aventuras. Juntas fomos conhecer o mar, encontramos a Mônica e o Maurício de Souza, fizemos cosplay, assistimos Caça Fantasmas e esperamos pelo novo, alugamos uma casa numa praia particular e cuidamos dos nossos cachorros. Recebo as amigas dela em casa e levo pro sebo, pro cinema e pra pista de skate. Temos algumas outras aventuras planejadas. Eu sou aquela mãe que sempre queima o almoço. Ou o jantar. Em alguns dias, duas vezes. A mesma refeição. Já aconteceu. E rimos disso até hoje. Minha falta de jeito na cozinha é tão popular em casa que ao planejar sua festa, no próximo fim de semana, ela pediu algo com comida simples pois “a gente sabe que você não dá conta, mãe”. Não dou. E não me forço mais. Parei de me punir por não conseguir fazer o bolo, os biscoitos ou o arroz que ela gosta. Peço comida, tento de novo, corremos pra minha mãe e rimos juntas das minhas tentativas. Eu me perdoei por não ser prendada na cozinha.</p>
<p>A maternidade me ensinou que eu podia viver a vida que desejei. Que genuinamente desejei. Mesmo que não saiba exatamente como ela deve ser. Eu, que sou tão obsessiva com algumas coisas, consegui abraçar a incerteza da maternidade sem sofrimentos. Mas precisei de nove anos para isso. Para entender que tudo bem ela dormir essa noite na minha mãe para que eu faça uma viagem a trabalho. Que isso não me torna menos mãe e nem a torna menos filha. E que dentro da nossa dinâmica, essa ausência seja parte essencial da família que formamos. Mas eu só entendi essas coisas quando, pelos olhos da minha filha, aprendi a me amar.</p>
<p>Eu tinha planos. Eu queria ver a bolsa estourar, queria um parto natural na piscina, em casa e comandado pela minha vó, além de toda tranquilidade de uma licença maternidade cor de rosa. O que aconteceu foi uma morte seguida por um longo luto e uma ressurreição. Eu senti quando a médica a tirou de dentro de mim, numa cesárea muito questionável. Não senti minha bolsa estourar, nem tive contrações. Mas eu me lembro do momento em que a médica olhou para mim, sobre o lençol na sala cirúrgica, e disse que uma menina linda e saudável havia nascido. Minha filha chorou. Eu também. Foi assim que nascemos. Mas eu precisei de anos de gestação.</p>
<p>Quando meu primeiro exame de gravidez apontou positivo, eu morri. Ele trouxe à tona uma dúvida enorme: nós nos amaríamos? Eu sabia que eu podia sentir uma coisa legal por ela como eu sentia por qualquer outra pessoa na minha vida. Mas eu seria capaz de amar? Nunca fui muito capaz de cuidar de mim do jeito que eu merecia. Nunca soube me amar profundamente porque acreditei que o amor vinha sempre de uma fonte externa. Aceitava qualquer demonstração de amor, de afeto ou de carinho como quem recebe um favor. Nunca me vi digna de ser amada. Eu tinha certeza de que não era digna.</p>
<p>Quando peguei o segundo exame positivo na mão, comecei a ligar para as pessoas e dizer: estou grávida. Eles entenderam como uma notícia. Era um pedido de socorro. Como eu daria àquela pessoa o que não sabia se tinha? Eu vivia das minhas migalhas. Dava aos outros tudo o que tinha na expectativa de receber um qualquer afeto de volta. E, quando minha filha chegou, algo em mim morreu. Eu não entendia o que estava prestes a acontecer. Só sabia que precisava viver. E cuidar. Foi quando comecei a me gestar.</p>
<p>No começo, eu sabia que o olhar dela, a preferencia dela por mim era por sobrevivência. Os três primeiros anos dela foram de negação a esse luto. O que eu era antes não me servia mais e, no entanto, o que diziam que uma mãe deveria ser, também não. As dúvidas eram tão grandiosas que eu sequer me permitia pensar nelas. O “e se” era doloroso demais. Eu tinha que ser a mãe que eu imaginava como ideal. Tinha que estar ali pra ela, esperando pra quando ela precisasse e aparecesse e decidisse. Eu não aceitava essa transição. Eu sentia falta da minha calça jeans que, para não pagar excesso de bagagem, ficou em alguma das casas onde morei. Eu sabia que havia algo errado e, ainda hoje, não sei nomear o que era. Mas eu senti tudo aquilo e entendi. Por anos, vivi na insegurança e no medo. Duas correntes pesadas que me impediam de andar.</p>
<p>Num daqueles dias em que tudo dá errado, em que o feijão queima, a gente perde o ônibus e o trabalho é recusado, eu desabei. Sentia tanta coisa ruim por ser aquela pessoa incompetente que resolvi me entregar. E, envelhecida e envergonhada, sem muito pensar, perguntei se ela me amava.</p>
<p>“Claro, mãe. Porque eu não amaria?”</p>
<p>Por quê?</p>
<p>Ela sequer se deu ao trabalho de me olhar, mas a resposta dela me libertou de mim. Daquela prisão que eu havia criado. Quando a minha filha levantou a cabeça e me olhou, eu já não era a mesma pessoa. E ali, refletida nos olhos dela, eu renasci. E pude, pela primeira vez, considerar a possibilidade de me perdoar. De rasgar o papel de parede amarelo da maternidade e viver.</p>
<p>A gente acha que o amor chega e coloca tudo em ordem ou que a paixão vem e destrói. Temos uma série de teorias sobre o que acontece quando esses sentimentos chegam de maneira externa. Mas a gente raramente aprende ou fala sobre o que acontece quando aprende a se amar. No meu caso, e só falo por mim, foi um baque violento. Eu mal tinha entrado na casa dos trinta anos e havia desistido de mim. Eu estava disposta a aceitar aquilo até o dia em que me vi refletida no sorriso da minha filha.</p>
<p>Parece estranho colocar isso aqui, e de fato é, mas eu nunca me senti bonita. Lembro de, em alguns momentos muitos pontuais da minha vida, pegar uma ou outra foto e pensar que ali, naquele momento, eu estava. Não era.</p>
<p>Mas de tanto ouvir que ela é linda e que se parece tanto comigo, eu comecei a me questionar. E seu eu fosse bonita? E se eu me sentisse bonita? E se eu me permitisse me apaixonar por mim e me dedicar a mim como eu vinha fazendo com as outras pessoas?</p>
<p>Parece simples e óbvio, mas quando me percebi genuinamente amada por ela, não soube lidar com isso. A maternidade foi uma morte súbita. Mas seu luto foi lento e doloroso. Foram necessários anos para entender que eu podia me dar direitos.</p>
<p>Pelos olhos da minha filha, eu me vi como uma pessoa. Digna de ser amada.</p>
<p>Aprendi que o problema não estava nas pessoas e na forma como elas me tratavam. Estava em mim. Em achar que o mundo me devia amor, que me reconheceria, que me amaria do jeito que eu queria ou precisava. Foi quando aprendi com o mestre Balboa que ninguém me devia nada. Mas eu devia a mim mesma. E resolvi me pagar.</p>
<p>Amanhã a minha filha fará nove anos. E eu caminho pro primeiro. O inverno deste ano foi quente, mas o outono tem chuva e neblina e temperaturas frias. Mas muita coisa mudou. Nós somos uma família. Aqui em casa o arroz não é soltinho, não temos margarina e ninguém acorda feliz e cantando. Mas, na nossa realidade, a construção é diária. Lembro que quando descobri que estava grávida de uma menina, uma pessoa que trabalhava comigo perguntou o que “uma gorda que gosta de boxe vai ensinar pra ela”. Na época, eu disse que ensinaria justamente isso. A lutar boxe. O tempo passou e, durante muito tempo, eu achei que isso não aconteceria. Mães ideais não fazem isso. O tempo passou. Ensinei muitas coisas à minha filha e ela me ensinou tantas outras. Logo mais começam nossas aulas de muay thai. Esse é um dos nossos planos a curto prazo. Ela está ansiosa por isso.</p>
<p>Estou feliz por ser a pessoa que desejo ser. Por ser eu,mãe.</p>
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